Fishlow diz que países da AL têm de aumentar a poupança interna
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 02 (AE) - O economista americano Albert Fishlow, orientador da tese de doutorado do ministro da Fazenda, Pedro Malan, na Universidade de Berkeley (EUA), pregou hoje a necessidade de aumento da poupança interna e das exportações latino-americanas. Em palestra, durante o seminário sobre os 40 anos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fishlow disse que as medidas são necessárias para o desenvolvimento dos países da região.
"A não ser pelo Chile, os níveis de poupança interna da América Latina (AL) hoje são os mesmos de 1959", disse Fishlow, usando como referência o ano de criação do BID, em Petrópolis, na região serrana do Rio. O economista também chamou a atenção para a necessidade do fim das interrupções no crescimento das exportações dos países latino-americanos.
Segundo Fishlow, o crescimento anual de 10% das exportações poderia significar o aumento entre 5% e 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da AL. Ele afirmou que o México é o país da região em melhor situação no comércio internacional, graças à sua integração à área de Livre Comércio das Américas (Alca), promovida pelos Estados Unidos (EUA).
O economista aconselhou aos países latino-americanos a não cortarem recursos em educação, para combater a desigualdade social. "É necessário um compromisso real com a educação", afirmou. "Infelizmente, diante de déficits e problemas sociais, esta é uma das áreas mais fáceis de cortar recursos", lamentou Fishlow.
Consenso latino-americano - O economista americano reconheceu, no entanto, o progresso feito na região graças ao controle dos gastos públicos e o consequente controle da inflação. Segundo Fishlow, a necessidade de aplicação dessas duas medidas pelos países entre o México e o Chile formaram o "Consenso Latino-Americano".
Na avaliação de Fishlow, esse consenso foi mais importante, na prática, do que o chamado "Consenso de Washington" - por ter partido de decisões internas na região. Ele também elogiou os avanços no controle dos déficits da previdência de países latino-americanos. "Estamos vendo atitudes surpreendentes nessa questão em todos os países da área, inclusive no Brasil", afirmou. Segundo Fishlow, neste ponto, a região está mais avançada do que os EUA, onde o governo está "paralisado" por disputas políticas entre democratas e conservadores para resolver o problema.


