Fishlow diz que Brasil precisa de investimento em educação
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 18 (AE) - O Brasil só deverá usufruir dos benefícios da nova economia se investir fortemente em educação, segundo prognóstico do economista americano Albert Fishlow. A nova economia, para ele, valoriza o capital intelectual e proporciona maior taxa de retorno. A velha economia dá enfase ao produto. A nova, às idéias.
Os serviços passaram a ser a base de todas as atividades e, com isso, cai o desemprego, como ocorreu nos Estados Unidos, que, segundo acredita, não param de crescer desde 1983.
Para Fishlow, a produtividade e a globalização interromperam os ciclos econômicos, em que um período de crescimento era sempre sucedido por outro, de recessão. Essa receita coube, sob medida, na economia norte-americana, mas outros países desenvolvidos enfrentam dificuldades pontuais. O Japão, segundo afirmou, enfrenta a barreira da língua, e a Europa, o fato de o desemprego alcançar especialmente a população mais jovem, aquela mais afeita à Internet.
Fishlow, que desenvolveu atividade acadêmica na Universidade de Yale e especializou-se em economia brasileira, disse que decidiu agora participar de atividades empresariais e por isso, associou-se à Violy, Byorum & Partners Holdings (VBP), empresa americana de consultoria especializada em fusões, aquisições e reestruturação. "Quero participar desse processo da globalização." O brasilianista é cético quanto a capacidade de o Brasil ingressar com plenitude na nova economia. Diz que terá de corrigir distorções, que levam o País a ter uma péssima distribuição de renda. "Só comparável à da áfrica do Sul." Apenas com educação pode-se corrigir isso, afirmou durante palestra feita na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
A reserva de mercado para a informática tem grande responsabilidade pelo fato de o Brasil não ter entrado na nova economia, disse. O País perdeu o começo do processo de informatização das atividades produtivas.
"Não há nenhuma empresa brasileira exportando computadores e isso é um sintoma de que o Brasil permanece fora da nova economia ", disse Fishlow. Mas, em contrapartida, o País deu grande salto ao promover a privatização, que teve duplo sentido: arrecadou recursos para reduzir o déficit público e melhorou os serviços públicos, especialmente, telecomunicações, para a operação da Internet. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1


