Rio, 14 (AE) - O economista americano Albert Fishlow apoiou hoje as críticas feitas pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, aos que defendem a volta da inflação como ingrediente para estimular o crescimento econômico. Ele alertou para o risco do governo abrir mão dos ganhos obtidos desde o início do Plano Real e afirmou que já existe espaço para queda dos juros no Brasil. "A globalização excluiu os países que não conseguiram controlar sua inflação", avaliou Fishlow durante palestra para executivos na 33ª Convenção Brasileira de Supermercados - Abras 99.
A crítica de Malan foi uma resposta ao economista e ex-ministro Celso Furtado, que na semana passada afirmou que uma aumento da inflação agiria como combustível para o crescimento. Fishlow advertiu para o perigo que teorias como essas podem causar à economia brasileira, que, segundo ele, atravessa um período de recuperação. "Esse é um problema seriíssimo", afirmou o economista, que foi professor do ministro Malan na Universidade Berkeley, na Califórnia.
Fishlow ressaltou que um dos riscos da política defendida por Furtado é o País conviver novamente com taxas elevadas de inflação, como ocorreu na década de 80. "A dosagem é muito difícil", explicou. "Não dá para elevar em apenas dois ou três pontos percentuais, o que acabará acontecendo é a volta da inflação para a casa dos 4.000%". Fishlow lembrou que a principal prejudicada seria a população mais carente, que não tem acesso às aplicações financeiras. "Os ricos ganham com juros, os carentes acabam perdendo o dinheiro que têm no bolso"
disse.
Em relação aos juros, o economista avaliou que já existe espaço para o governo voltar a baixar as taxas. Um dos motivos é que não se espera que o Fed, banco central americano, promova novas altas dos juros americanos no curto prazo. "Isso permite um corte das taxas em outros países", previu. A maior confiança dos investidores estrangeiros no País é outro motivo que levou o economista a apostar em um novo corte dos juros no Brasil.
Fishlow acredita que o aumento da credibilidade externa também permitirá que a taxa de câmbio recue para um nível entre R$ 1,70 e R$ 1,75 até o final do ano. O crescimento das exportações, principalmente de manufaturados, é outro ingrediente que contribuirá para a queda da taxa no segundo semestre deste ano.

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