Fischer diz que FMI divide objetivos com manifestantes Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 13 (AE) - O diretor-gerente em exercício do Fundo Monetário Internacional, Stanley Fischer, disse hoje (13) que a instituição "têm os mesmos objetivos de reduzir a pobreza em todo o mundo" dos milhares de manifestantes que querem impedir a reunião do FMI e do Banco Mundial, neste fim de semana. Ele disse que a organização que dirige está aberta a ouvir seus argumentos, mas contestou suas críticas contra a globalização e o papel do FMI, feitas pelas dezenas de grupos cívicos envolvidos nos protestos, com uma veemente defesa das políticas de liberalização e integração dos países na economia global.
Fischer negou, durante entrevista coletiva, que a agenda de quatro pontos da reunião, todos relacionados com as reformas das políticas de créditos e supervisão do FMI, tenha sido influenciada pelos protestos. Algumas horas mais tarde, falando num seminário da Fundação Carnagie, ele disse que não se deve se perguntar se as reivindicações dos manifestantes são justas ou não, "porque as ruas não são um lugar para se realizar um debate sofisticado" sobre as políticas e instituições que contestam.
Amparado pelos resultados positivos alcançados nos países que recorreram à assistência do FMI depois da crise financeira da ásia, entre eles o Brasil, que fez questão de citar no início da entrevista, o dirigente do Fundo desafiou os manifestantes a apresentar uma melhor alternativa. "Todas as evidências são de que a melhor maneira de (um país) crescer é integrar-se à economia global", afirmou, acrescentando que a globalização "representa a única maneira pelo qual alçaremos as pessoas ao redor do mundo ao mesmo nível (de vida) das pessoas dos países industrializados". O secretário do Tesouro, Larry Summers, também defendeu o FMI e o Banco Mundial, em depoimento no Congresso.
Perguntado pela Agência Estado se concordava com a proposição dos manifestantes, que dizem falar "pelos povos do mundo", Fischer falou sobre a legitimidade dos protestos. Ao fazê-lo, mencionou o Brasil como exemplo de um país democrático, onde as pessoas são representadas a diversos níveis, mas usou mal a palavra "populista" para qualificar o Congresso brasileiro e provocou uma pequena comoção em Brasília durante um par de horas. Alertado, esclareceu através de um porta-voz do FMI, que o que queria dizer era que o Congresso brasileiro "tem representação popular". Durante à tarde, esclareceu o episódio pessoalmente num encontro com o ministro da Fazenda, Pedro Malan.
"É uma questão muito difícil lidar com as interações entre governos democraticamente eleitos e grupos que dizem representar o povo nesses países", afirmou, lembrando que a legitimidade desses grupos é mais clara nos países que tem governos não eleitos. No Brasil, por exemplo, "lidamos com um governo eleito por meio de um processo democrático , que tem um Congresso que é
para dizer o mínimo, muito populista", disse Fischer. Por essa razão, "é muito difícil afirmar que o processo político (no Brasil) não está fazendo o que for desenhado para fazer, ou seja
permitir que as opiniões das pessoas sejam representadas".
Sobre os manifestantes, o dirigente do FMI disse que eles representam opiniões variadas e expressam uma certa insegurança provocada pela falta de maior participação nos processos decisórios. "Alguns deles são membros de organizações não governamentais que têm muita experiência nos países com os quais trabalhamos, oferecem excelentes sugestões sobre como as coisas podem funcionar melhor através, por exemplo, de processos participatórios que discutimos com eles e que levaram a mudanças reais". Alguns desses grupos (de nações industrializadas) "fizeram muita pressão sobre os políticos de seus países pedindo mais recursos para os países em desenvolvimento e outras coisas muito produtivas como a liberalização do comércio nos próprios países industrializados".
Segundo Fischer, outros manifestantes são menos informados, estudaram pouco a situação sobre a qual se pronunciam e estão em Washington para protestar porque "não sabem o que estamos tentando fazer (no FMI) e, possivelmente, não tiveram explicações boas o suficiente de nossa parte". Há, por fim , um terceiro grupo de manifestantes que está mas ruas "porque é primavera", disse o diretor do FMI.(colaborou Monica Yanakiew)





