Berlim, 20 (AE) - O vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, disse que acredita que haverá progresso nos esforços da Argentina para adotar o dólar como moeda nacional. Ele também deixou claro que não acredita que a moeda única do Mercosul sirva para estabilizar a região. Ele fez as declarações no 5º Fórum Europeu
em Berlim.
Fischer disse que o esforço da Argentina para a adoção do dólar "é sério" e que a Argentina adotaria, imediatamente, a moeda norteamericana se os Estados Unidos concordassem em dividir os ganhos financeiros que um país tem com a emissão de sua moeda, a "seignorage". Fischer disse que ainda não conhece uma resposta de Washington sobre isso.
O vice-diretor-gerente do FMI disse que a atual política deixa a Argentina em situação de riscos e sem as vantagens de possuir uma moeda nacional. Ou seja, por causa da paridade com o dólar, a Argentina não tem controle sobre sua moeda, mas os investidores continuam temerosos com a possibilidade de uma desvalorização.
Ao ilustrar a lógica do caso argentino, ele disse que há "uma dolarização muito forte e, ao mesmo tempo, a adoção do câmbio flutuante é arriscada demais por razões históricas".
Fischer previu que as vantagens para os países de possuir uma moeda nacional vão desaparecer. A vantagem a que ele se referia é a possibilidade de valorizar ou desvalorizar sua moeda para ajustar a competitividade internacional do país. Fischer disse que, cada vez mais, as empresas e trabalhadores vão ter de fazer esse ajuste de competitividade por meio de cortes ou aumentos em preços e salários.
O vice-diretor-gerente do FMI também deixou claro que não acredita que uma moeda única no Mercosul traga estabilidade. Ele lembrou que as últimas crises financeiras internacionais foram transmitidas pela chamada "conta de capital", que inclui transferências internacionais de dinheiro, e que normalmente são expressas em moedas de importância mundial como o dólar, ou seja
uma moeda do Mercosul seria mais atuante na conta corrente que registra exportações e importações.
As opiniões de Fischer contrastam com o tom dos discursos do ministro da Fazenda, Pedro Malan, em sua visita a Alemanha. Malan, que também estava presente ao 5º Fórum, vem ressaltando as grandes dificuldades para adoção do dólar na Argentina. Malan também vem se mostrando favorável à adoção da moeda única do Mercosul, ainda que em futuro muito distante.
Inflação - Fischer disse que os últimos números da inflação no Brasil "não são tão ruins". Em conversa com jornalistas, ele não quis comentar sobre se o aumento dos juros seria a melhor forma de controlar a inflação. Fischer fez elogios às políticas econômicas do governo brasileiro durante o 5º Fórum.
Fischer, dirigindo-se à platéia, composta por representantes de governos europeus e de grandes bancos, disse que "nós temos obrigação de ajudar estabilizar o sistema", porque países como o Brasil rejeitaram a possibilidade de uso de controles de câmbio para deter crises financeiras internacionais. Fischer disse que esse tipo de controle seria destrutivo e que Malan sofreu pressões para adotar esse tipo de medida.
O vice-diretor-gerente do FMI disse que o Brasil saiu da crise internacional em condições "surpreendentemente boas". Ele disse que um dos grandes motivos para que isso acontecesse foi a boa estrutura do sistema financeiro nacional.

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