Fiscalização deixa moradores da zona norte sem os lotações
São Paulo, 10 (AE) - Milhares de moradores em bairros da zona norte de São Paulo ficaram sem o seu transporte preferido: os lotações. Com a falta das peruas o jeito foi enfrentar as longas filas nos pontos do terminal Santana durante uma ou duas horas por um ônibus. Quando eles surgiam, muita confusão. Uma mulher chegou a ser jogada para fora de um ônibus que fazia a linha Jardim Corisco.
Tudo porque fiscais do Departamento de Transporte Público (DTP), acompanhados por policiais militares a pé ou a cavalo e funcionários da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET), passaram o dia apreendendo peruas legalizadas ou não. Segundo os perueiros, de segunda-feira até hoje foram apreendidas cerca de 400 peruas.
"É um absurdo o que estão fazendo com a gente e com os perueiros", reclamou a delegada Salete Augusto, que trabalha Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). "Os perueiros só facilitam a vida da gente", acrescentou. Ela trabalha na Brigadeiro Tobias e mora no bairro de Marieta, no Tremembé. Há quatro anos a delegada sai do serviço toma o metrô até a Estação Santana e de lá vai de perua até sua casa. "Além de esperar mais de meia hora por um ônibus, ele demora 45 minutos para chegar ao Marieta, enquanto a perua leva apenas 20 minutos", disse. "Os ônibus percorrem um itinerário extenso, parece que estamos fazendo turismo", reclamou. Sem lotação e ônibus superlotados, Salete recorreu a um táxi.
Apesar das reclamações de passageiros e perueiros, a fiscalização não cedeu. As 16h30, agiu com rigor. "Policiais militares desceram a borracha em todo mundo", afirmou o pipoqueiro Gilmar de Oliveira. "Os PMs chegaram até a apontar um revólver para uma mulher". Para o administrador de empresa Luis Antônio Prado a "polícia em vez de impedir dos perueiros ganhar seu dinheiro honestamente deveria estar caçando bandidos". Ele trabalha no Brás e há um se utiliza dos lotações para ir e vir de sua casa no Jardim França, na água Fria.
"Não concordo de forma alguma com essa violência contra passageiros e perueiros e a favor do monopólio das empresas de ônibus", disse apontando para os pontos lotados. A cabeleireira Eli Silva, residente em Furnas, no Jardim Trememos, utiliza as peruas pelo menos três vezes por semana. "Vou até a Liberdade comprar alguns itens para o meu salão e não há condições de se viajar de ônibus, pois além de estarem super cheios, são sujos e demorados".
Dezenas de passageiros formam filas nas calçadas a espera dos lotações e ficavam revoltadas quando informadas que as peruas não iam fazer o transporte. "Não é admissível uma coisa dessas", disse a doméstica Cleusa Lima Farias. "Há uma hora estou esperando um ônibus para ir para casa e nada dele aparecer; agora sem lotação como vou fazer?"





