Porto Alegre, 11 (AE) - A fiscalização de propriedades rurais em busca de sementes de soja transgênica, feita pela Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abriu uma nova frente de atrito entre o governo gaúcho e a Federação da Agricultura do Estado (Farsul). A entidade não reconhece a autoridade estadual para investigar a produção de transgênicos e afirma que os produtores vão impedir a entrada de fiscais da secretaria. O secretário José Hermeto Hoffmann, porém, garante que a ação vai continuar, com o apoio da patrulha ambiental da Brigada Militar.
De acordo com Hoffmann, no final da tarde de ontem (10) os fiscais interditaram a terceira lavoura com soja geneticamente modificada em fase inicial de germinação. Ele não soube precisar o local da plantação, mas ela se soma às duas áreas já interditadas esta semana em Salto do Jacuí, cada uma com 100 hectares, e à apreensão de 3,5 mil sacas de semente do produto em 24 propriedades. A atuação da secretaria irritou a Farsul. Hoje, durante encontro promovido pelo governo com representantes de produtores, cooperativas, entidades ambientais e indústrias, o assessor jurídico da entidade, Nestor Hein, assegurou que os produtores vão, "educadamente", impedir a entrada dos fiscais estaduais.
Os produtores querem que a fiscalização seja feita pelo Ministério da Agricultura, que teria competência, "serenidade" e "aparelhagem adequada" para o trabalho, conforme palavras de Hein. Segundo o assessor jurídico, os fiscais do Estado só poderiam agir por delegação do ministério. Na opinião dele, o governo petista do Rio Grande do Sul está promovendo uma "cruzada xiita" contra os produtores por "motivação política e ideológica".

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