O combate ao contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai desencadeou uma reação da Prefeitura de Foz do Iguaçu e da Câmara Municipal. O vice-prefeito Claudio Rorato (PMDB) acusou ontem a Receita Federal (RF) de praticar ''terrorismo fiscal'' na repressão ao crime. Em entrevista coletiva, Rorato disse não ser contra as vistorias, porém acusou o órgão de atuar de forma arbitrária e ilegal.

Rorato condenou o fato de fiscais ''invadirem'' hotéis para inspecionar bagagens, como aconteceu no sábado passado. A atitude revoltou sacoleiros, que entraram em confronto com a PF. Pelo menos dez ficaram feridos e seis foram presos. Segundo ele, houve abuso de poder e quebra de ordem constitucional com a invasão noturna de um hotel sem mandado judicial.

A prefeitura encaminhou ofícios ao Senado, à Procuradoria da República, a Receita Federal, em Brasília, e ao 14º Batalhão da Polícia Militar (BPM), que teria dado apoio a PF na diligência de sábado.

O legislativo tomou atitude semelhante ao apresentar uma moção de repúdio ao delegado da RF, em Foz, Mauro de Brito. O documento deve ir para primeira votação na sessão de hoje. Os vereadores também aprovaram um requerimento propondo que o Senado e a Câmara dos Deputados instalem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as atividades da Receita Federal no município.

A Folha procurou o delegado Mauro de Brito, porém sua assessoria informou que ele deve pronunciar-se nos próximos dias. Questionado anteontem sobre as retaliações que já aconteciam extra-oficialmente, disse entender as reações. ''São manifestações dizendo que a Receita Federal tem feito sua fiscalização com muito rigor, como se nós pudessemos aplicar a lei pela metade.'' Em sua opinião, o crime econômico é tão violento quanto o roubo.

Funcionários da RF ouvidos pela reportagem disseram que os fiscais não precisariam de um mandado judicial para entrar no hotel porque o contrabando é um crime flagrante e Foz é considerada uma zona primária de fiscalização. Alertaram ainda que o mandado permite somente abordagens durante o dia.

Desde o dia 14, a RF intensificou a fiscalização de sacoleiros na Ponte da Amizade e BR-277, único acesso terrestre à cidade. As operações, que têm apoio das polícias Federal e Rodoviária Federal, resultaram na queda no fluxo de compristas em Ciudad del Este, no Paraguai.

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