A disputa entre motoristas de veículos de transporte de turistas brasileiros e paraguaios para agenciar turistas e sacoleiros em Foz do Iguaçu obrigou o Instituto de Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans) a aumentar a fiscalização na área da Ponte da Amizade.
No dia 16 de novembro, 12 fiscais começaram a aplicar multas de R$ 60,54 e apreender veículos irregulares. A medida tem o objetivo de fazer cumprir a lei municipal 1.562/91, que impede que taxistas estrangeiros agenciem passageiros quando estiverem em território de Foz do Iguaçu.
Para o diretor de transporte do Foztrans, Sidnei Prestes, a fiscalização acabou com a prática -conhecida como ‘‘piranhagem’’. ‘‘Existe irregularidade nas áreas periféricas à ponte mas, onde há fiscalização, posso garantir que os paraguaios deixaram de pegar turistas’’, afirma Prestes. Na Ponte da Amizade trabalham três fiscais na entrada, três na saída e seis sem ponto fixo.
Antes das medidas, centenas de Kombis, táxis e vans cruzavam diariamente a ponte para agenciar turistas em Foz. Ciudad del tem Este tem quase 7 mil veículos de turismo, enquanto em Foz esse número é de apenas 1.100.
Os fiscais também começaram a cobrar a lista de passageiros. Ao chegar em Foz, o motorista é obrigado a fornecer os nomes dos ocupantes do veículo. Com a lista carimbada pelos fiscais, eles deverão comprovar que os passageiros embarcaram em Ciudad del Este.
‘‘Lá é realizado o mesmo procedimento’’, explica Prestes, que promete ampliar, no próximo ano, o trabalho para pontos estratégicos no centro da cidade e também na Ponte Trancredo Neves, que liga o Brasil à Argentina. No dia 20 de novembro, os brasileiros realizaram um arrastão contra a presença dos paraguaios. Em represália, os paraguaios bloquearam o acesso à ponte, impedindo que qualquer veículo fosse a Foz do Iguaçu. O impasse levou as autoridades brasileiras e paraguaias a se reunirem no dia 27 de novembro.
Na ocasião, foram tomadas poucas atitudes concretas para resolver o problema. Mas os representantes prometem continuar com a discussão nas próximas reuniões.
Para Luiz Carlos Rocha, presidente da Cooperativa de Transporte Turístico e Alternativo de Foz do Iguaçu (Cottrafoz), o principal problema é a forma como os paraguaios trabalham. Além de cobrar entre R$ 0,50 e R$ 1,50 pela travessia -bem menos que os brasileiros-, eles só cruzam a Ponte da Amizade quando o veículo está lotado. Do contrário, retornam à fila, tumultuando o trânsito.
‘‘A situação é grave. Nós oferecemos toda qualidade aos turistas, mas os policiais alegam ter pouco efetivo para controlar a ilegalidade’’, reclama Rocha, representante de quase 700 cooperados. Os associados da Cottrafoz cobram entre R$ 30,00 e R$ 40,00 por grupo de sete passageiros. Sobre os prejuízos financeiros, Rocha diz ser impossível calcular as cifras. (AP)Ney de SouzaFiscais da prefeitura de Foz do Iguaçu vistoriam carros de turismo paraguaios nas imediações da Ponte da AmizadeAlexandre Palmar
Especial para Folha

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