O governo britânico pretende impor aos brasileiros a necessidade de visto de entrada, a partir do próximo ano, e admite até criar um constrangimento diplomático para que isso ocorra. O primeiro passo foi dado há dois meses, quando o País foi colocado, sem nenhuma negociação prévia, em uma lista de países ‘‘suspeitos’’ – pelo alto índice de imigrantes ilegais ou de outros crimes –, ao lado de Bolívia, Malásia, África do Sul, Botsuana, Namíbia, Venezuela, Trinidad e Tobago, Lesoto, Suazilândia e Ilhas Maurício. Todos têm até o fim do ano para provar que aceitam ‘‘uma política mais rígida de fiscalização de quem desobedece às leis da imigração’’. Mas agora se sabe que, no dia 3 de julho, em carta entregue pessoalmente pelo embaixador Peter Collecott aos ministros Celso Amorim (Itamaraty) e Tarso Genro (Justiça), o governo britânico explicita a ameaça. ‘‘A menos que trabalhemos juntos nos próximos seis meses, não teremos outra opção a não ser introduzir um regime de vistos para o Brasil.’’ Para que a ‘‘política seja eficaz’’, o Reino Unido exige que o Brasil aceite ‘‘mecanismos de mitigação’’, como colocar um policial britânico na imigração do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). Esse ‘‘oficial de ligação internacional’’ daria treinamento às companhias aéreas sobre passaportes e identificação de fraudes. Exige-se também que as agências de turismo, para que não funcionem como ‘‘facilitadoras’’ de ilegais, entrevistem os clientes e não vendam passagens a quem apresentar indícios de que não seja um ‘‘visitante genuíno’’ – empresário, turista ou estudante.


O Brasil e o Reino Unido assinaram em 1998 o acordo de isenção de visto, permitindo que o visitante fique até 90 dias no país, prorrogáveis pelo mesmo tempo, a critério da autoridade britânica. Só é exigido visto para quem vai fixar residência para estudar e trabalhar


Em números redondos, o Brasil tem hoje 4 milhões de cidadãos imigrantes – ante 870 mil estrangeiros que residem aqui. Do total de imigrantes brasileiros, 1,5 milhão deles vivem nos EUA, 400 mil no Paraguai, 400 mil no Japão e a maioria dos demais na União Européia, no Canadá e na Austrália

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