Fiscal que atua na repressão do transporte clandestino é preso com 4 armas
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Jobson Lemos 
São Paulo, 31 (AE) - Um fiscal da prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo, foi preso em flagrante ontem (30) à tarde por porte ilegal de arma. Geomar Dias, de 47 anos, trabalha na repressão ao transporte clandestino. Em seu carro, a Polícia Militar encontrou uma pistola 9 milímetros, uma espingarda calibre 22, um revólver calibre 38 e outro 22.
O caso foi registrado no 1.º Distrito Policial da cidade. Os PMs que prenderam Dias, entretanto, o levaram até o 5.º Grupamento de Bombeiros para ouvi-lo no caso do perueiro morto na sexta-feira. Conforme consta no boletim de ocorrência, Dias passou mal durante esse depoimento e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Pio XII. No fim da tarde de hoje, ele ainda estava em observação.
Ontem, às 16 horas, os policiais da corregedoria observaram quando Dias entrou em um depósito de veículos apreendidos da prefeitura e conversou com dois PMs. Ficou pouco tempo. Ao sair, os policiais abordaram-no. Com ele, encontraram um revólver calibre 38. No porta-malas do Vectra que dirigia, estavam as outras armas e 189 projéteis para armas de diversos calibres, como pistolas 765, 380 e 635.
Aos policiais, Dias disse ter ganhado a pistola 9 milímetros de um delegado aposentado. O revólver calibre 22 e a espingarda seriam, segundo ele, armas de coleção. Ele tinha o registro apenas de uma das armas e não tinha porte. A assessoria de Imprensa da Polícia Militar não soube informar por que os policiais levaram Dias do DP para ser ouvido num prédio do Corpo de Bombeiros. As armas encontradas com Dias foram enviadas ao Instituto de Criminalística (IC) para testes que possam determinar se ela foi utilizada em algum crime. Morte - Na sexta-feira, quando o perueiro Anderson de Araújo Rodrigues, de 30 anos, foi morto com um tiro na cabeça, Dias trabalhava em uma blitz para apreender lotações clandestinas. O diretor do Departamento de Serviços Públicos Urbanos, Virgílio Gonçalves, disse que o fiscal não participava do bloqueio onde Rodrigues acabou sendo morto.
Gonçalves disse ter recebido com surpresa a notícia da prisão de Dias e que o departamento - encarregado da fiscalização do transporte público na cidade - desconhece se os fiscais trabalham armados durante as blitze. Ele afirmou que será aberta uma sindicância para apurar o caso envolvendo o fiscal. Na semana passada, o prefeito de Guarulhos, Jovino Cândido (PV) disse que receberia "à bala" os perueiros clandestinos. Gonçalves afirmou que os fiscais não estão orientados a usar de força contra os perueiros clandestinos. Balística - A morte de Rodrigues está sendo investigada pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo 7.º Distrito Policial da cidade. Os seis policiais que participaram da operação que resultou na morte do perueiro estão em prisão administrativa. No fim de semana, eles foram ouvidos sobre o caso. De acordo com eles, na perseguição a Rodrigues houve troca de tiros e o perueiro acabou atingido.
Essa versão é contestada por parentes e amigos do perueiro, que dizem que ele não tinha arma. O delegado Antônio Martins recebeu dos PMs um revólver calibre 38, que eles disseram ter sido encontrado com Rodrigues. A arma tinha três cartuchos deflagrados. Martins apreendeu também as armas dos três policiais que participaram da perseguição e da troca de tiros. As armas foram enviadas ao IC para testes de balística. Martins espera o resultado do exame residuográfico feito em Rodrigues para definir as próximas etapas da investigação.


