Fiscal nega extorsão e diz que só queria ajudar comerciante
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 05 (AE) - Um gesto de bondade. Assim o fiscal Marco Antônio Zeppini justificou a eventual propina cobrada da comerciante Soraia da Silva. Zeppini foi interrogado hoje, durante duas horas, na 29.ª Vara Criminal da Capital, pela juíza Andreia Brandão, e não pode ser acompanhado pela imprensa. O fiscal chegou escoltado por soldados da Polícia Militar, sem dar declarações. "Foi um gesto de altruísmo", justificou o advogado de defesa, Sérgio Alvarenga.
O fiscal está preso desde o dia 2 de dezembro, acusado de tentar extorquir R$ 30 mil de Soraia, dona de uma academia de ginástica nos Jardins, na zona sul de São Paulo. A prisão deflagrou uma série de investigações do Ministério Público (MP) sobre supostos esquemas de propinas cobradas por fiscais de todas as administrações regionais.
No interrogatório, Zeppini nega ter extorquido a comerciante. Segundo ele, no ano passado, Soraia procurou a regional de Pinheiros. Ao conversar com Zeppini, ela teria contado que sua academia precisava de reformas e já tinha recebido visita de fiscais.
Em outra visita à regional, Soraia teria dito ao fiscal que, se soubesse das irregularidades do imóvel, não o teria alugado para montar a academia, na Rua Augusta. "Sensibilizado pela coragem de Soraia à frente de tal empreendimento, bem como pelo fato dela demonstrar total desconhecimento em como proceder, prontifiquei-me a orientá-la, a fim de regularizar o imóvel", disse Zeppini.
Em seguida, ele afirmou ter orientado Soraia a verificar toda a documentação necessária para a regularização do imóvel. Como constatou que a reforma não estava de acordo com as normas, Zeppini prontificou-se a contratar engenheiros particulares, que cobrariam R$ 30 mil pelo projeto. A multa pelas irregularidades administrativas era de R$ 55 mil. O advogado Alvarenga não vê problemas no fato de um funcionário público intermediar uma reforma particular. "Isso não é crime", disse. "Na verdade, ele só quis orientá-la e o dinheiro seria utilizado para pagar os engenheiros pela reforma do imóvel". Acusação - "A defesa é absolutamente insustentável", disse o promotor de Justiça Marcelo Mendroni, que acompanhou o interrogatório. Mendroni, que investiga o caso, afirmou que Zeppini, como funcionário público, deveria ter autuado imediatamente o imóvel. "O depoimento não foi esclarecedor e a promotoria sustenta a acusação".
Caso seja condenado por concussão (extorsão praticada por funcionário público), Zeppini pode pegar de 2 a 8 anos de prisão. O fiscal continua detido no 13º Distrito Policial, na Casa Verde. No início da semana, os advogados de defesa deram entrada em um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Em uma outra tentativa, a concessão de habeas corpus foi negado pelo Tribunal de Justiça.
Na próxima sexta-feira, a juíza irá ouvir as testemunhas de acusação arroladas pelos MP.


