Fiscal do Ibama presa por corrupção
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A Polícia Federal prendeu em flagrante, na última quinta-feira, uma servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Curitiba. Ela estava recebendo propina de uma madeireira para liberar a empresa de multa por irregularidades. A polícia agiu junto com o próprio órgão, que recebeu denúncias contra a fiscal Roseli Posselo. O contator da empresa Borabora Madeiras, que não teve o nome divulgado, também foi preso.
A prisão aconteceu no momento que o contador entregava à servidora, em frente à sede do Ibama em Curitiba, R$ 10 mil. Segundo a Polícia Federal o dinheiro seria usado como forma de propina para que a empresa obtivesse favorecimento ilegal. Os policiais federais filmaram o momento em que os acusados trocaram papéis e um envelope. Os dois foram abordados e, depois que os policiais se certificaram que no envelope havia dinheiro, ela foi presa em flagrante por corrupção passiva e o contador, por corrupção ativa.
Além do dinheiro, estavam com os acusados um documento de notificação do Ibama à empresa Borabora Madeireiras Ltda entre outros documentos.
O superintendente substituto do Ibama no Paraná, Valdeci Raimundo, explicou que o órgão recebeu denúncias de empresas de irregularidades na fiscalização e junto com a Polícia Federal começou a investigar. ''Para nossa surpresa pegamos uma servidora recebendo dinheiro. É importante deixar claro que o Ibama não compactua com esse tipo de ação'', ressaltou Raimundo.
Segundo o superintendente substituto, além do processo criminal, será instaurando processo administrativo no Ibama para verificar se houve mais casos de corrupção.
O esquema usado por Roseli era o seguinte: ela fiscalizava a empresa, notificava sobre o problema e pedia dinheiro para não aplicar o auto de infração (a multa).
Segundo Raimundo, o relatório do fiscal é o documento que vale para dizer se a empresa se regularizou ou não. Assim, a servidora colocava a empresa como regular depois de receber a propina.
A reportagem da Folha não conseguiu contato com a empresa Borabora.


