São Paulo, 07 (AE) - O fiscal Sílvio Luiz da Silva afirmou hoje que o ex-chefe de fiscalização da Administração Regional da Lapa, Amauri Aparecido Rippa, pediu que funcionários trabalhassem na campanha de William José Izar no ano passado. William, que não se elegeu deputado estadual, é irmão do vereador José Izar (PFL), que controlava politicamente a regional. Silva prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais. De acordo com ele, teria sido prometido a Rippa que ele se tornaria chefe de gabinete na Assembléia Legislativa. "Caso William se elegesse". Parte do depoimento de Silva foi acompanhado pessoalmente pelo vereador Izar. Ele ficou em pé, nos fundos do salão onde são feitos os interrogatórios da comissão por pouco mais de dez minutos. Os vereadores da CPI perguntaram se Silva sentia-se constrangido. "Não", repondeu. Para o vereador Dalton Silvano (PSDB), um dos membros da comissão, a presença de Izar não atrapalhou o depoimento, mas foi algo estranho. "Não foi normal, porque ele não apareceu em dia nenhum". O fiscal prosseguiu, então com seu depoimento. Ele disse ter ouvido na administração que Rippa recebia propina de ambulantes. Em uma ocasião, o chefe da fiscalização teria lhe convidado pessoalmente para participar do esquema de subornos. "Mas eu não topei", disse. Por causa dessa negativa, ele disse ter ficado por três meses afastado das fiscalizações na rua. Silva contou ter trabalhado por seis meses como fiscal. Durante esse período ele lembrou de ter participado de apenas duas apreensões.
Nelas, afirmou que o procedimento adotado pela fiscalização não era o mesmo para todos os ambulantes. Algumas barracas eram retiradas, outras não. Silva está preso sob acusação de também ter recebido dinheiro de ambulantes. Ele, entretanto, negou qualquer enolvimento no esquema de subornos na Lapa. Depoimento - Hoje também deporia o chefe de gabinete da vereadora Maeli Vergniano (sem partido), Paulo Leite. Ele, entretanto, não compareceu alegando estar estressado. Leite assumiu a vaga deixada por Dorca Magliarelli, cunhada de Maeli que recebia salário com chefe de gabinete, mas trabalhava como professora em Botucatu.

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