Dois fiscais e um engenheiro da Administração Regional da Penha, na zona leste de São Paulo, tiveram a prisão preventiva decretada ontem por suposto envolvimento em esquemas de cobrança de propinas. O engenheiro e ex-administrador regional da Penha, Osvaldo Morgado, e os funcionários Fernando Garcia Leper e Fernando Martins Capitão são suspeitos de participarem do grupo que extorquia comerciantes, na região. Os três não foram localizados pela polícia. Segundo o delegado Naief Saad Neto, da 7.ª Delegacia Seccional (Itaquera), a casa de Capitão estava fechada. Na dos outros dois, os familiares informaram que eles não apareciam em casa desde a semana passada.
O pedido de prisão foi baseado no depoimento de comerciantes e do fiscal Clóvis Feitosa de Araújo, preso desde o dia 25. No depoimento prestado à polícia, Feitosa afirma que sua função era descobrir casos de irregularidades administrativas ou obras clandestinas. Depois, a pessoa autuada era encaminhada para Morgado, que atualmente ocupava o cargo de supervisor na regional.
O ex-administrador explicava as eventuais punições e multas pelas irregularidades, e a encaminhava novamente para Feitosa, que fazia o ‘‘acerto’’. ‘‘No acerto, explicava que minha parte seria menor e o restante iria para o supervisor, que talvez iria dividir com sua assessoria e, mais acima, com o vereador Viscome’’, registrou o fiscal, em seu depoimento. O vereador citado é Vicente Viscome (PPB), que não foi localizado nos últimos dias.
Com Feitosa, foi apreendido seu BMW, que estava em nome de Morgado. O fiscal preso teria pago R$ 25 mil pelo carro ao ex-administrador. Para isso, teria dado de entrada um Mazda que possuia.
Ontem, o assessor técnico Ivan Marcio Gitahy, o Coronel, se apresentou no Comando Militar do Sudeste. Coronel, que trabalhava na regional da Penha, estava foragido desde o dia 25, quando foi decretada sua prisão preventiva por suspeita de participação no grupo que cobrava propinas, na regional.
O delegado Naief não soube informar se o fiscal, que foi coronel da Infantaria do 1.º Exército, foi preso pelos militares. No fim da semana passada, foi revelado que o Exército iria ajudar na captura de Gitahy, que deve se apresentar hoje à polícia.
O Comando Militar do Sudeste também não confirmou se o ex-militar ficou detido no quartel. O fiscal Nelson Gomes, que também está com prisão decretada, continua foragido.

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