Fiscais: entidades pretendem acional Maluf judicialmente
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 11 (AE) - Seis entidades de representação nacional de fiscais decidiram acionar judicialmente o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) pelas críticas feitas ontem (10). Ele chamou todos os fiscais de desonestos. "Vamos mover ações para que Maluf prove que somos todos desonestos ou faça uma retratação pública", afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, Nelson Pessuto.
Ele estava em Brasília, reunido com presidentes da Federação Nacional do Fisco Estadual (Fenafisco), Associação Nacional dos Fiscais da Contribuição Previdenciária (Anfip), Federação Nacional dos Fiscais da Contribuição Previdenciária (Fenafisp), Federação Nacional do Fisco Municipal (Fenafim) e Sindicato Nacional dos Agentes da Inspeção do Trabalho (Sinaid) quando tomou conhecimento da declaração. "Todos ficamos indignados e surpresos". Segundo Pessuto, os departamentos jurídicos das seis entidades já estão estudando o caso.
"Em todos os segmentos e profissões há pessoas desonestas, mas não podemos aceitar que um homem público e experiente como Maluf faça esse tipo de generalização", comentou. Pessuto acredita que outros sindicatos e associações de classe, além das que participavam da reunião, também mover ações contra o ex-prefeito. Injustiça - Uma classe trabalhadora, composta principalmente por pessoas honestas. Essa foi a resposta do prefeito Celso Pitta (PPB) ao ser questionado sobre as críticas feitas aos fiscais. "Eu não advogo essa generalização, pois acho injusta", contestou Pitta.
O comentário de Maluf irritou os profissionais. "A grande corrupção não é dos agentes, mas dos administradores que permitem essa prática", argumentou Foch Simão Júnior, inspetor-geral da Receita Federal do Aeroporto Internacional de São Paulo, no cargo há cinco anos.
A alfândega, que conta com 220 funcionários e 120 fiscais, é considerada a décima melhor do mundo em ações fiscais. "Apreendemos R$ 4 milhões em mercadorias e 20 quilos de drogas desde o início do ano", justifica Simão Júnior. "Seria complicado se eu dissesse que todo o político é corrupto".
A dúvida que Paulo Maluf lançou sobre a honestidade de todos os fiscais repercutiu de forma negativa no Sindicato Paulista dos Agentes da Inspeção do Trabalho, que reúne fiscais, médicos e engenheiros do Ministério do Trabalho. O presidente da entidade, Jesus José Bales, acha que Maluf foi infeliz em suas declarações. "Qualquer administração tem meios de punir desvios de conduta", esclareceu Bales. "Se ele acha mesmo isso, deveria ter demitido todo mundo quando foi prefeito e governador". (Colaborou Gabriela Carelli)


