São Paulo, 26 (AE) - Fiscais da Delegacia Regional do Trabalho, do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), e da Receita Federal, peritos da Polícia Civil e promotores do Ministério Público Estadual (MPE) passaram a tarde de hoje realizando uma blitz no depósito do grupo Partsil, em São Bernardo do Campo, no Grande ABC (SP). De acordo com o promotor Arthur Pinto Lemos Júnior, funcionários do INSS localizaram registros que indicam a existência de irregularidades contábeis.
O grupo, que atua em seis municípios e reúne as empresas Transbraçal, Apetece e Sopave, é suspeito de manter contratos irregulares com as Prefeituras de São Paulo e de São Bernardo do Campo. Entre centenas de caixas de documentos encontradas, 13 foram apreendidas pelo MPE.
A blitz começou pouco depois do meio dia, com o objetivo de localizar documentos que pudessem fornecer novas pistas para as investigações.
Ontem (25), o local foi lacrado. As buscas começaram depois das denúncias feitas pelo ex-diretor da empresa Arnaldo Rodrigues dos Santos, desligado do grupo desde 1995.
Contra a vontade do presidente, Francisco José da Silva, que é também seu ex-cunhado, Santos acompanhou as buscas. "Nós o consideramos um inimigo", declarou o advogado da Partsil, Braz Martins Neto. "Não existe pagamento de propinas", afirmou. Ele disse que pretende conseguir uma ordem judicial para que Santos deixe de participar das buscas, em companhia dos promotores. Em uma nota divulgada ontem, o grupo salienta que as acusações são "infundadas".
De acordo com o promotor José Carlos Blat, do MPE, é importante que Santos permaneça durante as investigações porque está colaborando com a Justiça. "Caso ele não comprove suas denúncias, será responsabilizado criminalmente", assegurou. "Participei de falcatruas, pagava propinas, mas nunca enviei cartas pedindo dinheiro, como estão alegando", afirmou Santos. Silva tem cópias de documentos, assinados pelo ex-cunhado, em que ele admite ter recebido R$ 3 milhões da empresa. Santos, entretanto, garante que não recebeu o dinheiro e afirma que o documento não tem validade legal.
"Fui sócio do grupo e quero receber o quinhão a que tenho direito." Até as 18 horas, os técnicos da polícia haviam feito testes de identificação em 35 dos cerca de 400 veículos, pertencentes ao grupo empresarial, que estão estacionados no pátio do depósito. As buscas devem prosseguir amanhã (27), a partir das 9 horas.

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