Fiscais do trabalho embargam obra SP
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 18 (AE) - Uma blitz feita hoje por fiscais do Ministério do Trabalho (MT) e pelo Sindicato dos Trabalhadores Civil de São Paulo, em uma obra na Avenida Guilherme, na zona norte de São Paulo, encontrou 210 operários vivendo em péssimas condições de higiene e segurança. Além de não dispor de instalações sanitárias e chuveiros, eles dormiam sobre tábuas, sem colchões ou lençóis. Não tinham água potável e trabalhavam sem equipamentos de proteção, mesmo em altitudes elevadas.
A obra da Construtora Soma foi embargada pelo engenheiro de segurança Noé Dias de Azevedo, do MT. Dos 676 itens obrigatórios de segurança, apenas 55 estam sendo cumpridos. A construção dos 20 prédios, com 52 apartamentos cada um só poderá ser retomada depois que todos as exigência de segurança forem cumpridas. "O regime era praticamente de escravidão e todos corriam risco de vida", comentou o presidente do sindicato, Antonio de Sousa Ramalho.
Responsáveis pela Construtora Soma não foram localizados pela reportagem. As denúncias contra a empresa serão encaminhadas à Polícia Civil, ao Ministério Público Estadual e Procuradoria do Trabalho.
Os trabalhadores contaram que a empresa cobrava, irregularmente, R$ 2,50 por um marmitex, R$ 0,50 pelo cafezinho e R$ 1,00 pelo copo de leite, quando de acordo com a convenção cotetiva vigente, o empregador deve oferecer alimentação gratuitamente. "Muitos trabalhavam só para pagar a comida", comentou Ramalho. De acordo com ele, a maioria dos operários veio do Nordeste, Paraná, interior do Estado e não tem para onde ir, por isso deve permanecer na obra até que a situação seja regularizada. A primeira providência da empresa deve ser construir alojamentos com banheiros, tanques e comprar camas para os funcionários.
Sem registro - Dos 210 homens, 195 tinham registro profissional e vários estão com salários atrasados. Eles não dispunham de equipamentos básicos de proteção individual como capacetes, botas, luvas e óculos. Nem mesmo os que trabalhavam com britadeiras tinham protetores de ouvidos.
Os fiscais encontraram poços de elevadores abertos, sem sinalização. Não havia cintos de segurança nos andaimes suspensos e os operadores de máquinas não estavam habilitados para a função. "Durante a blitz encontramos caminhões-pipa da prefeitura de Guarulhos fornecendo água, em uma situação aparentemente irregular", afirmou Ramalho. A situação deve ser averiguada pela administração do município.


