Fiscais do Ibama multam madeireiro em R$ 20 milhões
Carlos Mendes
Agência Estado
De Ipixuma
Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), acompanhados por agentes da Polícia Federal (PF), flagraram no fim de semana a extração ilegal de 40 mil árvores dentro da reserva dos índios tembés, em Ipixuna, no leste do Pará. O madeireiro Agnaldo Rodrigues foi multado em R$ 20 milhões.
Essa foi a maior multa aplicada no País contra um madeireiro acusado de extrair, sem autorização do Ibama, espécies nobres de madeira, como angelim, cedro e massaranduba. Caldeira disse que vai recorrer contra a multa, alegando desconhecer que a madeira era retirada da terra dos índios. Eu não sabia que era de lá, e, se soubesse, não teria feito isso.
Segundo os fiscais, as toras, cortadas, seriam vendidas para seis serrarias de Paragominas (PA). Quando os caminhões que transportavam as toras foram abordados na saída da reserva pelos agentes federais, os motoristas apresentaram documentos esquentados para extração de madeira em outras áreas da região.
As serrarias que iriam receber as toras estão sendo investigadas pela PF e poderão responder por crime contra o meio ambiente, invasão e corte ilegal em área indígena. A região de Paragominas é hoje a mais devastada de toda a Amazônia. Apenas 10% das florestas nativas dela se mantêm de pé neste fim da década de 90, segundo levantamento do Instito Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O cacique Muti Tembé contou que a devastação nas áreas indígenas da região atinge proporções alarmantes. Só agora o Ibama passou a agir com maior rigor porque, antes, os madeireiros e fazendeiros entravam e levavam o que queriam.
A ação do Ibama na região está causando problemas pessoais para o superintendente da instituição, Paulo Castelo Branco. Há 20 dias, ele vem recebendo ameaças de morte por telefone. Ele está sob proteção de agentes da Polícia Federal.





