Fiscais de trânsito são assassinados
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domingo, 24 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
São Paulo Três fiscais da São Paulo Transportes (SPTrans), empresa responsável pelo transporte coletivo com ônibus na cidade de São Paulo, foram assassinados no sábado. José Donizete, José Tenório e Eduardo Baldrine foram espancados, torturados e depois feridos a tiros por supostos perueiros que os renderam quando eles chegavam ao pátio da empresa, no Pari, região central da cidade, onde guardariam uma van Ducato bege, placas CPR-0545-SP, apreendida.
O veículo, que era usado clandestinamente como lotação, foi apreendido pelos três fiscais, por volta das 15h30 de sábado, na Avenida Maria Coelho Aguiar, no Jardim São Luiz, região do Capão Redondo, zona sul da capital paulista. Antes que eles conseguissem guardar a van no pátio, às 16h30, foram surpreendidos por vários homens que ocupavam uma picape S-10, com carroceria fechada e de alumínio.
Meia hora depois, moradores da Rua dos Aliados, no Alto da Lapa, zona Oeste da capital paulista, ligaram para a polícia dizendo que alguns homens teriam abandonado três corpos na calçada da rua e que haviam fugido em uma picape. José Tenório e Eduardo Baldrine foram socorridos no Pronto-socorro da Lapa, mas morreram logo após darem entrada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). José Donizete acabou morrendo por volta das 22 horas de sábado, no Hospital das Clínicas.
Segundo a direção de operações da SPTrans, de duas a três vezes por semana os fiscais da empresa sofrem algum tipo de violência por parte dos perueiros clandestinos. Eles andam armados, são violentos. Já virou rotina esse tipo de ação de resgate de peruas apreendidas. Essas foram as primeiras três baixas que tivemos neste ano, disse Maurício Thesin, diretor operacional da SPTrans.
A empresa, segundo Thesin, apreende em média 30 peruas por dia. Ele disse também que efetivo de equipes da SPTrans é grande e não há ajuda por parte do policiamento ostensivo de área da Polícia Militar nas blitze e no deslocamento destes carros apreendidos até o pátio. Esse tipo de escolta, quando ocorre, normalmente é feito pela Guarda Municipal ou por policiais do CPTran (Comando de Policiamento de Trânsito), que já teve boa parte desativada por completo pelo Estado.
O caso foi registrado no 91º Distrito Policial, de Vila Leopoldina. Ontem, a polícia não tinha pistas sobre os assassinos.


