Cerca de 70% dos 300 técnicos e auditores fiscais da Receita Federal em Foz do Iguaçu realizaram ontem uma operação-padrão na Ponte da Amizade (que liga o Brasil ao Paraguai) e na Estação Aduaneira do Interior (EADI) do município. Nos dois locais, a fiscalização no movimento de cargas e mercadorias foi intensificada.
No sentido Ciudad del Este-Foz, o congestionamento atingiu seu ponto crítico às 14 horas, quando houve retenção no tráfego até o centro da cidade paraguaia. Neste horário, todos os veículos eram abordados e vasculhados. As filas atingiram dois quilômetros.
Na Ponte Tancredo Neves, que une o município de Foz a Puerto Iguazú (Argentina), o funcionamento da aduana manteve-se normal. Na EADI, somente as cargas perecíveis estavam sendo liberadas.
Desta vez, o símbolo que marcou o protesto, intitulado Dia Nacional de Repúdio, foram as 150 camisetas pretas distribuídas pelo comando do movimento, promovido pelo Sindicato de Auditores Fiscais da Receita Federal e pelo Sindicato de Técnicos da Receita Federal.
Os técnicos e auditores reivindicam um plano de cargos e salários desde agosto. Na época, pressionado por constantes operações-padrão o governo prometeu, para até o fim do ano, uma proposta para a categoria. Sem perspectivas de cumprimento da promessa, os sindicalistas decidiram retomar a campanha em nível nacional.
A greve nacional de 24 horas dos funcionários da Receita Federal mobilizou os 80 funcionários que trabalham na Delegacia de Paranaguá e no terminal portuário. Durante todo o dia, houve pouca movimentação no setor de vistoria das cargas que devem ser exportadas ou que chegam ao Porto. O atendimento ao público também ficou comprometido, mas o serviço interno dos funcionários foi mantido inalterado.
A manifestação dos fiscais da Receita não chegou a comprometer a operação portuária, segundo a avaliação do próprio presidente do Sindicato dos Fiscais em Paranaguá, Jorge Antonio Favaro. Ele disse que o trabalho retornaria ao normal a partir da zero hora de hoje e que não houve qualquer prejuízo financeiro.
O protesto dos fiscais foi sentido também em Curitiba, onde os servidores públicos fizeram uma panfletagem em frente ao prédio central do Ministério da Fazenda, no centro da cidade. Eles mantiveram a mobilização durante todo o dia, mas não houve a interrupção do serviço interno. Apenas alguns setores de atendimento ao público ficaram paralisados.
A presidente do Unafisco Sindical em Curitiba - entidade que representa a categoria -, Eloá Mussi, disse que não está descartada a realização de novos protestos. Eloá informou que os servidores paranaenses tendem a seguir a orientação do sindicato nacional.
Os fiscais acreditam que com a manifestação vão pressionar o governo federal a fazer cumprir o acordo, firmado há dois meses, que previa o encaminhamento de um projeto de lei, ao Congresso, que beneficiaria a categoria. Pelo projeto, os fiscais e técnicos do Tesouro Nacional teriam um plano de cargos e salários. (Colaborou Carmem Murara)

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