Fiscais da Prefeitura interditam boate na Vila Prudente
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por Uilson Paiva e Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 28 (AE) - Os fiscais da Prefeitura fizeram hoje em dez minutos o que a Administração Regional de Vila Prudente demorou três anos para não fazer: interditaram a boate Ilha da Fantasia, na Avenida Luís Inácio de Anhaia Melo, que não tem alvará para funcionar e cujas instalações apresentavam riscos iminentes de incêndio, más condições de higiene, entre outras irregularidades.
Conforme mostrou o reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo hoje, apesar de o estabelecimento estar situado a um quarteirão da AR-Vila Prudente e contar com enormes outdoors anunciando sua atividade - e eventos como o "Garota Bumbum" -, até sexta-feira não havia recebido nenhuma intimação ou visita de fiscais municipais. A razão: o prédio pertence a Wanderley Mantovani, sócio do vereador Archibaldo Zancra (PPB) - que controla a regional - no jornal "Folha de Vila Prudente".
A denúncia motivou hoje uma fiscalização em conjunto de funcionários do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), da Secretaria das Administrações Regionais (SAR), Secretaria Municipal de Abastecimento (Semab), Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) e da Guarda Civil Metropolitana. "Horror" - Em poucos minutos, o coordenador da blitz, engenheiro Alexandre Conti, anunciou a interdição por tempo ilimitado. "Isso aqui está um horror", definiu. Entre as irregularidades, foram encontradas instalações elétricas clandestinas (gambiarras) e fios desencapados sobre postes de madeira e constatada a inexistência de extintores de incêndio ou qualquer equipamento de combate ao fogo.
O arquiteto Luís Munhoz, que inspecionou a parte elétrica, afirmou que o risco de incêndio era enorme. "É a coisa mais horrorosa que já vi em vários anos de inspeção". No local, trabalhavam cerca de 50 garotas de programa, além de garçons e outros funcionários. O gerente da Ilha da Fantasia, Sérgio Gabriel, limitou-se a dar desculpas. "Os extintores estão para carregar", disse. Questionado sobre vários fios elétricos que despencavam perigosamente do teto, disse: "Não sei o que é isso".
A ausência de alvará foi inicialmente contestada por Gabriel, mas ele não apresentou o documento aos fiscais - a lei determina que o alvará fique nos estabelecimentos. O gerente então chamou dois advogados, que iriam "apresentar toda a documentação". Quando eles chegaram, porém, apresentaram um auto de intimação feito na sexta-feira pela AR-Vila Prudente, depois de ser avisada do caso pela reportagem.
O local também foi autuado por fazer propaganda ilegal em sua fachada. Para funcionar como boate, já que a prostituição é contravenção, a casa terá de adequar todas as instalações, apresentar projeto elétrico feito por engenheiro e, após outra vistoria, pedir alvará ao Contru, uma vez que a capacidade alegada é de 500 pessoas. Multas - O engenheiro Conti, do Contru, afirmou que a autuação do estabelecimento ilegal já deveria ter sido feita pela AR-Vila Prudente. "Não quero entrar no mérito sobre a demora em fechar esse lugar, mas a responsabilidade é da regional". A AR-Vila Prudente, mais uma vez, não forneceu informações sobre o caso hoje. Outro que não se quis manifestar foi o vereador Zancra. Mantovani admitiu todas as infrações do prédio, que aluga para terceiros desde 1986, e afirmou ter recebido "algumas" multas "de uns R$ 40 mil" somente até 1994. Nem ele nem a regional apresentaram a cópia das multas. O empresário confirmou, porém, que nunca pagou nenhuma delas.


