Fiscais cometem infrações graves e põem vidas em risco
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Uilson Paiva e José Gonçalves Neto 
São Paulo, 15 (AE) - Em nome da apreensão de perueiros ilegais
fiscais da São Paulo Transporte (SPTrans) e Guarda Civil Metropolitana (GCM) arriscam a vida de pedestres, motoristas, passageiros e cometem delitos gravíssimos, segundo o Código de Trânsito Brasileiro.
Situação diferente ocorre nas blitze com participação do Comando de Policiamento de Trânsito, vinculado à Polícia Militar. Perseguições e manobras perigosas dão lugar a bloqueios
embora o resultado em apreensões seja menor.
Apenas na blitz da GCM e da SPTrans na manhã de ontem, os motoristas cometeram infrações que ultrapassam em muito os 20 pontos previstos para suspensão do direito de dirigir.
Os fiscais cruzaram repetidas vezes o sinal vermelho (7 pontos), trafegaram pela contramão (7), bloquearam a via com veículo (7), dirigiram ameaçando outros veículos (7) e estacionaram sobre canteiros centrais e divisores de pista (3).
Esse tipo de conduta, segundo o CPTran, só seria permitido a veículos de resgate, bombeiros e polícia - mesmo assim, em situações de emergência. "Nem em fiscalização de trânsito se pode fazer isso", disse o tenente Jean Carlos Pereira, relações-públicas do CPTran.
Nem GCM nem SPTrans são fiscais de trânsito. À GCM compete zelar pelo patrimônio público e segurança dos fiscais da Prefeitura. A SPTrans deve fiscalizar as condições de ônibus, lotações e peruas. Nenhuma tem poder de polícia.
"Me assustei quando vi a fiscalização e nem pensei, ia fugir mesmo", disse Carlos Alberto Ferreira, de 38 anos, cuja perua foi retida na zona sul, depois de fechada por uma picape da GCM.
"O motorista ia fugir, fiquei apavorada, podia acontecer o pior", disse a passageira Dora dos Santos, de 38, que desceu de um lotação ilegal abordado em Santo Amaro.
Na fiscalização com o CPTran, a orientação é não perseguir perueiros. "Fomos instruídos a realizar o bloqueio com os fiscais da SPTrans, mas não nos envolvermos em perseguições para não pôr em risco as pessoas", disse Pereira. Além de verificar a legalidade das peruas, os PMs fiscalizam o cumprimento das leis de trânsito.
Nas blitze da GCM, é comum o ânimo exaltado e a troca de tapas e ofensas entre guardas, perueiros e até passageiros. Os fiscais da SPTrans preferem o acompanhamento da guarda civil. O estilo do CPTran, mais contido, esfria o ânimo dos fiscais.
Em resultados, um dos dias mais violentos da fiscalização - a quinta-feira, dia 10 - corresponde ao de maior número de apreensões: 89."Não dá para agir sossegado contra esses perueiros", afirmou um fiscal. "Eles são espertos e têm um um bom sistema de comunicação", disse Sebastião Brás, um dos coordenadores da fiscalização.


