Curitiba- Fiscais do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), que deveriam autuar os donos de postos por irregularidades, cobravam propina para não realizar a fiscalização. Eles foram indiciados pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) por estarem envolvidos em um esquema de acobertamento de irregularidades. Fiscais da Receita Estadual também podem ter participação no esquema.
''Esse é só o começo da Operação Libra'', comentou o delegado Sérgio Inácio Sirino, coordenador do Nurce, referindo-se à investigação de donos de postos de gasolina suspeitos de sonegação fiscal, formação de quadrilha, cartel, dumping, crime contra a ordem tributária, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro. ''A operação deve ter a fase dois com a participação direta do Ipem.''
O Nurce vem investigando há dois anos quadrilhas que atuam na sonegação fiscal e na adulteração de combustíveis no Paraná. Ontem aconteceram buscas em três postos e um escritório em Maringá e na sede do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), em Curitiba. Além de Maringá, a operação se estendeu ontem a Marialva e Astorga. Foram pedidas cinco prisões preventivas e duas temporárias de proprietários de postos. Por enquanto, ninguém foi preso. A polícia ainda não tem um levantamento dos prejuízos causados com estes crimes.
O delegado disse que um caminhão da rede de postos Juninho - que tem sede em Maringá - comprava o álcool diretamente das usinas sem nota fiscal e sem passar por nenhuma distribuidora. O procedimento viola as normas da Agência Nacional de Petróleo (ANP), porque os postos são obrigados a comprar os combustíveis das distribuidoras. Sirino afirmou que esta prática pode fazer o preço do produto custar de três a cindo centavos a menos.
O delegado lembrou que a operação Máfia dos Combustíveis, que deu origem aos trabalhos, há dois anos e meio, envolve cerca de 60 postos principalmente em Maringá, Cascavel, Curitiba e Londrina (que já foi objeto de investigações com 16 prisões).
Sirino lembrou ainda que os ''combustíveis fazem parte de um grande bolo de arrecadação no Paraná. ''É um negócio milionário'', afirmou. O delegado destacou que o principal esquema no Paraná é a adulteração da gasolina pelo álcool sonegado. As usinas também já sofreram buscas e apreensões nas cidades de Goioerê, Campo Mourão e Umuarama, desde o começo da operação Máfia dos Combustíveis.
O diretor-presidente do Ipem, Marco Antônio Lima Berberi, disse que os dois fiscais da entidade podem ser demitidos caso sejam considerados culpados após as investigações. ''Vou pedir o afastamento dos dois por medida cautelar assim que for aberto o processo administrativo'', disse.
''Acho ótimo (o trabalho do Nurce). Estão fazendo o que a gente sempre disse que tinha que fazer'', afirmou o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese. Segundo ele, hoje há postos na Capital comprando a gasolina por R$ 2,16 e vendendo por este mesmo valor. Segundo ele, postos que trabalham com margem de lucro bruta menor que R$ 0,30 têm problemas sérios de sobrevivência.

mockup