Rio, 25 (AE) - A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) calcula que a indústria fluminense vai encerrar 1999 com vendas 4% acima das de 1998. Segundo a economista Luciana Sá, mesmo que a queda do rendimento real e os altos juros imponham limites, as perspectivas para as vendas do comércio neste fim de ano são positivas.
Se estiverem corretas, as empresas do Rio vão precisar repor estoques, o que pode provocar aumento nas vendas reais de 20% no primeiro trimestre de 2000, na comparação com o mesmo período deste ano. Se a inflação e os juros subirem, mesmo assim
as vendas reais devem crescer 12,9% - por conta da base de comparação deprimida de 1999.
As projeções da economista têm base numa pesquisa da Firjan revelando que 64% das empresas de bens de produção e 63% das de bens de consumo esperam vendas maiores em 2000.
No setor de bens de consumo, quem não estima aumento trabalha pelo menos com o cenário de estabilidade em 2000. O segmento mais otimista é o de perfumaria, sabões e velas, em que 100% das indústrias apostam num desempenho melhor. Logo depois, vêm produtos farmacêuticos e material elétrico, com 88% cada.
Um segmento impulsionado pela privatização, o da telefonia, colheu frutos este ano. Segundo o vice-presidente de Operações da Telefônica Celular, Paulo Cesar Teixeira, a empresa e a concorrente no Rio e Espírito Santo, a ATL, alcançaram índice de penetração de 18% entre a população. As empresas projetam até 25% em 2000. "Podemos chegar a 30% em dois ou três anos", afirmou o presidente da ATL, Carlos Henrique Moreira.
Em janeiro, a Telefônica Celular aprovou um orçamento de R$ 300 milhões para atingir 1,5 milhão de clientes, número superado em agosto. A empresa encerra o ano com cerca de 1,9 milhão de clientes, um crescimento de 140% ante 1998 e orçamento de R$ 400 milhões. Se não fosse a desvalorização do real, a operadora teria crescido a um custo menor, afirma Teixeira. A ATL, em um ano de operação, conseguiu 900 mil clientes.
O Natal será bom para a Telefônica Celular, que espera vender de 180 mil a 200 mil aparelhos em dezembro, ante 150 mil em meses anteriores. A ATL também deve encerrar o mês com 200 mil linhas vendidas, 100 mil em apenas um dia de promoção de aparelhos por 199 reais. "O varejo costuma dizer que nós o salvamos este ano", conta Moreira.
"No ano que vem, o crescimento continua", aposta Teixeira. Apesar de a fila de espera não existir mais, os investimentos em serviços, como os ligados à Internet, devem estimular os negócios, como acredita também a ATL.
Essa indústria de telefonia está criando empregos. Teixeira conta que a Telefônica Celular tinha 250 revendas quando foi privatizada, em julho de 1998, e hoje, tem 700. "Foram criados cerca de 3 mil empregos nesse processo, fora os diretos, que pularam de 580 para 1,3 mil", diz o executivo.
Pela pesquisa da Firjan, 70% das indústrias do Rio planejam manter o número de funcionários em 2000, mas 17% devem contratar. Entre as indústrias de bens de consumo, a fatia sobe para 21%.
O vice-presidente de Negócios de Consumo da Fleischmann & Royal Nabisco, Ian Jarrett, diz que o ano pode não ser tão bom para a indústria de alimentos quanto alguns setores esperam, mas haverá uma recuperação gradual. Na empresa, a divisão de bebidas e sobremesas, por exemplo, deve crescer de 3% a 4% em 2000, acompanhando as perspectivas para o Produto Interno Bruto (PIB).

mockup