Uma sobrevivente da chacina, que conseguiu fugir do local com sua filha de 2 anos e com um menino de 8 anos, filho do pedreiro executado no local, contou à FOLHA que passou momentos de terror dentro da chácara do Polaco. A adolescente de 16 anos, nascida em Guairá, mora há cerca de 6 meses no Rio de Janeiro, na Favela da Rocinha.
  Segundo a menor, ela e o marido, conhecido como ‘Febrônio’, estavam passando uns dias na cidade e deveriam voltar para o Rio ontem. ‘‘Ele era amigo de Polaco e eu ficava lá, conversando com a mulher e com os filhos dele’’, contou.
  A jovem disse que seu marido não tinha envolvimento com o tráfico de drogas, mas que tem medo do que pode acontecer. ‘‘Eu não sei para onde vou ainda.’’
  A sobrevivente contou que chegou no local do crime, por volta das 7 horas, de carro com a filha e o marido. Logo na entrada na chácara foram abordados por três homens encapuzados que os levaram para o interior da casa. ‘‘Logo em seguida o Polaco chegou, ele tinha levado a mulher dele para trabalhar. Quando ele viu um cara encapuzado no quintal da casa, tentou jogar o carro pra cima dele, mas não conseguiu. Então, quando ele desceu do carro, atiraram nas pernas dele. Foi quando as pernas dele quebraram’’, relatou.
  Ainda conforme a vítima, os encapuzados forçaram Polaco a ligar para as pessoas que teriam sido responsáveis pela morte de Dirceu. ‘‘Então eles colocaram a gente na sala. O primeiro que eles mataram foi o filho do Polaco. Então eles foram atirar no meu marido, mas o tiro passou de raspão. Ele caiu no chão com minha filha que estava no colo dele. Eu peguei ela no colo e então eles atiraram no meu marido’’, contou.
  No momento em que os criminosos foram ‘‘recepcionar’’ outras pessoas que haviam chegado na chácara, a jovem conseguiu fugir com a filha e o menino de 8 anos, que já havia visto seu pai levar um tiro na cabeça. ‘‘A gente se escondeu atrás de uma árvore e, quando percebi que eles estavam longe, consegui correr para o meio do mato. Quando a minha filha gritava pelo pai, eu tinha que tampar a boca dela’’, lembra.
  Cerca de duas horas depois de permanecerem escondidos, ela conseguiu pedir ajuda a uma viatura da polícia que chegava no local. ‘‘Eu fiquei com medo, mas não conseguia chorar. Dava pra perceber que eles estavam bêbados, mas não acho que estavam drogados. Eles estavam bebendo pinga e falavam gritando, com bastante raiva’’.
  Acolhidos pelo Conselho Tutelar da cidade, os menores estão sobre proteção da polícia. Assustado, o menino de 8 anos, que foi atingido por um tiro de raspão no tornozelo, perguntou pelo pai à equipe da FOLHA e lembrava com detalhes a ação dos criminosos. ‘‘Eles tinham uma arma da cor daquele armário (prata), umas duas com o cabo bem grande e outras duas com o cabo pequeno’’, comentou o menino. (F.B.)

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