Fipe refaz previsão e aposta em inflação de 0,35% em maio
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 12 (AE) - O custo de vida do paulistano deverá ficar em torno de 0,35% este mês, quase a metade da inflação inicialmente prevista para maio, de 0,6%, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A projeção deste mês foi revista depois de o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apurado pela Fipe ter encerrado a primeira quadrissemana de maio em 0,35%. Esse resultado é 0,12 ponto porcentual abaixo do obtido no mês de abril (0,47%).
Para este ano, o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, ainda mantém a projeção de 7%. Ele ressalta, no entanto, que se trata de uma estimativa conservadora, e admite que essa taxa está mais para o teto do que para o piso da inflação acumulada em 1999.
Bastariam dois meses de estabilidade de preços para que o IPC ficasse em torno de 6% neste ano. Considerando uma taxa de 0,35% em maio e em junho, o IPC da Fipe acumularia alta de 3,69% no primeiro semestre. "Não podemos descartar a possibilidade de ter uma inflação surpreendentemente baixa no segundo semestre", afirma Heron, que leva em conta a hipótese de deflação entre julho e setembro.
Nesse caso, o IPC sofreria o impacto das liquidações dos artigos de vestuário e da safra das verduras, legumes e frutas, como ocorreu em anos anteriores.
Heron argumenta que a deflação seria "estatística" e não motivada por uma queda no nível de atividade econômica. O índice negativo apurado no terceiro trimestre aliviaria, segundo ele, uma provável alta de preços que deve ocorrer entre outubro e dezembro por conta do aquecimento da economia.
O economista da Fipe considera razoável uma inflação de 4% estimada pelo presidente Fernando Herinque Cardoso, desde que esse seja o índice acumulado nos próximos 12 meses.
Junho - Para o mês que vem, Heron prevê que o IPC não será muito diferente do de abril e maio. "No mês que vem não haverá tantas pressões", enfatiza o economista.
Ele argumenta, por exemplo, que os preços dos artigos de vestuário e o reajuste dos combustíveis deixarão de pressionar o IPC da Fipe, a menos que ocorram reajustes das tarifas públicas de água, esgoto e energia elétrica.
Mesmo que os preços dos alimentos tenham alguma recuperação em junho, o IPC será aliviado, segundo Heron, porque o impacto da alta dos combustíveis terá sido totalmente absorvido.


