São Paulo, 17 (AE) - A inflação de fevereiro medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) poderá chegar a zero, a menos que haja reajuste do combustível ou de tarifas públicas. Se o custo de vida ficar estável em fevereiro, esse será o nível mais baixo dos últimos oito meses, desde junho do ano passado, quando o indicador da Fipe teve deflação de 0,08% na cidade de São Paulo.
Caso essa previsão se confirme, o IPC da Fipe acumulado em 12 meses ficará em 7,2%, quase um ponto e meio abaixo do registrado até janeiro (8,71%). Com isso, haverá uma aproximação entre os índices de preços do varejo e do atacado, o que abrirá caminho para que o governo reduza os juros, diz o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo. Ele refez a projeção para este mês, que era de 0,2%. Para março, Heron mantém a estimativa de um IPC em 0,2%, mas não descarta a possibilidade de até registrar deflação.
O economista decidiu revisar para baixo a projeção para fevereiro depois de constatar que, na segunda quadrissemana deste mês, o IPC ficou em 0,18%, ante 0,37% da primeira prévia de fevereiro. "O custo de vida caiu mais um pouquinho e ficou melhor que o previsto", diz Heron. A alimentação, com queda de 0,58%, foi o grupo que surpreendeu e fez com que o índice recuasse além das expectativas.
A previsão de inflação zero para este mês leva em conta que os alimentos continuem caindo um pouco mais nesta semana, com a perda de fôlego dos produtos in natura e a estabilidade dos industrializados. Na segunda quadrissemana, o recuo foi puxado pelos semi-elaborados, que ficaram 3,37% mais baratos. O feijão e o frango foram líder e vice-líder no ranking das maiores quedas de preços , com recuos de 15,60% e 8,22%, respectivamente.
Também os artigos de vestuário, cujas cotações recuaram 0,68% na segunda prévia, por conta das liquidações de verão, devem continuar tendo deflação nas próximas semanas e fechar o mês com queda de 1%.
Os reajustes dos preços da educação, o grupo que mais subiu no IPC na segunda prévia, com alta de 3,73%, tenderão a se esgotar até o fim deste mês, destaca Heron, reforçando a sua previsão de estabilidade para o IPC de fevereiro. Na análise do economista, se for descontada a contribuição da educação, de aproximadamente 0,14 ponto porcentual no índice geral de 0,18% da segunda quadrissemana, o IPC da Fipe já está muito próximo de zero , isto é, em 0,04%.
A gasolina está caindo 1,18% até a segunda prévia deste mês e a tendência do grupo transportes, que registrou alta de 0 05% no período, é de estabilidade, a menos que ocorram reajustes nos transportes coletivos e no combustível. Se o governo decidir reajustar a gasolina, o melhor momento, do ponto de vista da inflação, será no segundo semestre, depois do reajuste das tarifas, diz Heron. Além disso, com a chegada do verão no Hemisfério Norte, a tendência é o preço do petróleo recuar. A previsão da Fipe de inflação anual entre 6% e 6,5% leva em conta reajuste de 10% a 15% nos combustíveis para o ano.

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