São Paulo, 5 (AE) - A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) prevê uma inflação de 1% no mês de julho, devido basicamente a alta dos preços dos combustíveis e das tarifas públicas. De acordo com o economista Heron do Carmo, responsável pelo IPC do município de São Paulo, os combustíveis devem ser o maior fator de pressão sobre o índice em julho. Uma alta de 12% na gasolina, contribuiria com uma elevação do IPC em 0,37%. No caso do álcool, uma alta de 20% traria 0,19% para a inflação de julho. Assim, apenas os combustíveis responderiam por 0,56% do custo de vida deste mês.
No IPC de junho o álcool combustível apresentou alta de 2,06% e a gasolina, 0,92%, mas de acordo com Heron ainda não houve o repasse total da alta dos combustíveis. A pesquisa apontou uma variação parcial da última quadrissemana de junho, quando comparada com a última quadrissemana de maio. No caso das tarifas públicas, o principal aumento virá da energia elétrica. Segundo Heron do Carmo, um reajuste de 21%, previsto para o setor, trará um impacto de 0,73% para o IPC. Parte desse reajuste já foi absorvido no mês de junho, restando cerca de 0 30% para julho.
Além do combustível e das tarifas públicas a inflação de julho deve ser pressionada ainda pelo aumento dos planos de saúde e dos remédios. Em compensação, a Fipe prevê uma queda no preço do vestuário que vinha em alta até o mês de junho. Sazonalmente, as liquidações de julho levam a essa redução e o índice relativo ao setor deve ficar em zero ou mesmo negativo até o final do mês.
O setor alimentação deve reverter a queda de junho fechando a quarta quadrissemana de julho em zero ou mesmo com índice negativo. A grande dúvida é a ocorrência ou não de geadas na primeira quinzena do mês. Se ocorrer, tratá alta dos hortifrutigranjeiros. Caso não ocorra, a Fipe acredita que a variação do item alimentação será negativa, já que deve ocorrer uma redução de gastos com alimentos em consequência da alta das tarifas e dos combustíveis que reduz o poder de compra do consumidor.
Meta - O economista Heron do Carmo, responsável pela pesquisa do IPC-Fipe, considerou frouxa a meta de inflação de 6% para o ano 2000. Segundo ele, o governo deveria ter fixado a meta em 5%, mostrando um pouco "mais de firmeza" na condição da política monetária. A Fipe reviu sua projeção do IPC para este ano, fechando em 6%, o que, segundo ele, é condizente à meta de 8% fixada para este ano. "O que me deixou intrigado é a meta de 6% para 2000. Acho que o governo folgou", afirmou Carmo
prevendo fortes pressões do setor público para a alta de preços.
Ele não acredita, no entanto, que o setor privado usará o índice de 6% como patamar de reajuste, porque o governo não tem condições de acomodar esse nível de aumento de preços. "Qual vai ser o referencial dos orçamentos?", questionou. "Mesmo que não seja explícito, acaba entrando nos cálculos", completou, reforçando suas expectativas de pressão por parte do setor público. De acordo com Carmo, o governo "enfraqueceu num ponto em que se mostrava forte: o combate à inflação". Isso, na sua opinião, será prejudicial à médio prazo para a situação fiscal do País. Se o governo tiver folga no orçamento, mas mantiver as restrições aos gastos, ele não prevê problemas. Caso contrário, Carmo acredita em implicações com desdobramentos ruins para a economia brasileira. Sobre a meta de 4% para 2001, o economista da Fipe também acha que poderia ser mais baixa, ficando entre 2% a 3%.

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