São Paulo, 2 (AE) - O índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe deve ficar abaixo de 3% no primeiro semestre e em torno de 6% no ano. A previsão é do coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo. Segundo ele, a previsão anual não pode ser mais otimista porque haverá pressão de tarifas públicas, que devem sofrer reajuste a partir deste mês. Outro fator que pode pressionar a inflação em junho é a ameaça de geada, que deve prejudicar a safra agrícola. Segundo o economista, por conta disso, a inflação de junho deve ficar em torno de 0,30%.
No mês de maio, Heron destacou que o item alimentação foi o principal responsável pela deflação de 0,37%. Esse item registrou queda de 1,96%, contra 1,18% no mês anterior. O vestuário foi outro grupo que contribui para o índice negativo de maio, já que apresentou desaceleração no seu ritmo de reajustes. Em maio, o vestuário teve variação positiva de 1,91%, contra aumento de 6,53% em abril. Segundo ele, o resultado ficou muito aquém das taxas registradas em anos anteriores. Apesar da deflação, o item remédios foi destaque de alta. Esses produtos vêm registrando variação positiva de 3% ao mês nos últimos três meses, acumulando no ano de 7,52%, graças a um acordo feito entre a indústria farmacêutica e o governo em março que permitiu o repasse do aumento de custos proveniente da desvalorização cambial.
Esse resultado só fica abaixo do acumulado pelos itens produtos eletrônicos (+11,82%) e produtos de limpeza (+9,48%). Mas Heron observa que, enquanto esses dois itens vêm registrando taxas decrescentes ao longo dos últimos meses, os medicamentos têm ampliado suas taxas de reajuste, podendo, assim, virem a se tornar os vilões da inflação no segundo semestre.

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