Fipe prevê deflação em fevereiro
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Rita Tavares 
São Paulo, 24 (AE) - Após oito meses de inflação em alta
os consumidores do município de São Paulo deverão ter deflação neste mês de fevereiro em consequência da queda contínua do preço dos alimentos. O resultado da terceria quadrissemana, divulgado hoje pela Fipe-USP, já apontou deflação, com o IPC negativo de 0,05%, contra altas de 0,18% e 0,37% nas duas quadrissemanas anteriores. Em março, a inflação deve ficar em zero, mas poderá também ser negativa (deflação). Apenas em abril
com o fim da safra agrícola e a chegada da moda outono-inverno às lojas, a inflação voltará a subir.
Será o melhor resultado em oito meses, desde junho de 1999, quando o IPC registrou uma deflação de 0,08%. Resultado melhor foi apurado em maio do ano passado, com uma queda de 0 37%.
Tradicionalmente, os meses de fevereiro e março são de inflação baixa, mas isso não ocorreu em 1999 porque a desvalorização cambial provocou a alta dos preços ao consumidor, puxando o índice. No ano passado, o IPC de fevereiro foi de 1 41% e o de março, de 0,56%. Em 1998, o IPC registrou deflação de
respectivamente, 0,16% e 0,23%.
Apesar da revisão do IPC para fevereiro e março, o coordenador do IPC, Heron do Carmo, não mudou a projeção para o acumulado de 1999, que deve oscilar entre 6% e 6,5%. Isso porque ele acredita que o governo aproveitará a queda da inflação para recompor os preços dos combustíveis. Até janeiro, o IPC acumulado em doze meses foi de 8,71%. Com a deflação de 0,20% projetada para fevereiro, Heron projetou que o acumulado cairá para 7% e, se o IPC for zero em março, o IPC acumulado em doze meses será de 6,04%.
Nesta terceira quadrissemana, a deflação de 0,05% surpreendeu a Fipe, que esperava uma redução menor em relação à segunda quadrissemana. O resultado veio basicamente da queda dos preços dos alimentos semi-elaborados, sendo que o preço do feijão foi o que mais caiu nesta terceira quadrissemana, com 17 01%. Outros produtos em queda foram o frango, com 7,81%, e o arroz, com 1,85%. "Sem a queda do preço do feijão, ao invés de uma queda de 0,05%, o IPC teria uma alta de 0,4%", disse Heron do Carmo.
Segundo Heron, o preço médio dos alimentos deverá ser menor ainda em março, em relação com este mês, já que os hortifrutigranjeiros deverão estar mais baratos. Tradicionalmente o IPC de março é determinado preponderantemente pelo desempenho do preço do vestuário. Neste ano, no entanto, Heron do Carmo não está seguro sobre essa influência, já que a mudança na metodologia de pesquisa do índice reduziu a importância do preço do vestuário na composição final do IPC. Assim, a projeção oscila entre zero e uma deflação, segundo Heron.


