São Paulo, 20 (AE) - A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) reviu a estimativa de inflação para este mês de 0,50% para 0,80% por causa das pressões registradas nos preços da carne, do álcool combustível e do açúcar. Essas pressões, que já tinham puxado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na primeira prévia de outubro, fizeram com que o IPC subisse mais um pouco e fechasse a segunda quadrissemana de outubro em 1,13%, ante o resultado de 1,04% da primeira quadrissemana.
O coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, diz que essa nova projeção é conservadora e admite que esse novo índice poderá ser superado, se os preços do álcool, da carne e do açúcar não perderem fôlego na última semana do mês. O economista diz, porém, que os preços desses três produtos podem até subir na terceira prévia de outubro, mas tenderão a recuar na semana seguinte, com a queda no consumo que normalmente ocorre no fim do mês.
Para novembro e dezembro, as previsões de um IPC de 0 50% e 0,30% estão mantidas. Mas, para o ano, Heron diz que o IPC ficará em 7%, ante a previsão anterior que oscilava entre 6,5% e 7%. Antes da alta das tarifas e do combustível, ele previa que a inflação anual ficaria abaixo de 5%.
Na segunda quadrissemana de outubro, o IPC subiu basicamente por causa de pressões localizadas na carne bovina, com alta 7,57%; no álcool, que ficou 16,12% mais caro e no açúcar, que subiu 15,16%. Esses três produtos juntos contribuíram com 0,66 ponto porcentual para o IPC de 1,13%. Na primeira quadrissemana de outubro, o álcool tinha subido 13,93%; a carne bovina, 4,76% e o açúcar, 14,39%.
"Esses três itens se comportaram na segunda quadrissemana acima do que eu cogitava", diz Heron. Ele ressalta que a subida da carne, do álcool e do açúcar está ligada às restrições na oferta e não indicam um comportamento explosivo do índice. No caso da carne, o período é de entressafra. A recomposição dos preços do álcool puxou as cotações do açúcar, que está em alta no mercado por causa da menor oferta.
Heron explica que, na sua projeção de 0,80% para o mês, está considerando um alívio de 0,30 pontos porcentuais. Dentre os itens que deixarão de pressionar o IPC das próximas semanas de outubro, ele aponta água/esgoto, passagem intermunicipal, feijão, a energia elétrica e a gasolina.

mockup