São Paulo, 08 (AE) - A Fipe não vai alterar sua projeção para o IPC acumulado de 1999 em função do aumento da carga tributária das empresas que deve, segundo vários empresários, ser repassado para os preços ao consumidor. "O impacto nos preços, se houver, será pequeno", disse o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo. Segundo ele, a projeção do índice para 1999 se mantém entre 6,5% e 7%.
De acordo com Heron, a maioria das empresas não terá condições de repassar aumento de custos para o preço final dos produtos, porque a demanda continua em baixa. Alguns setores podem aumentar seus preços, mas outros setores da mesma cadeia produtiva não poderão fazer o mesmo. O fato de a indústria automobilística ter reajustado seus preços, segundo Heron, não é um indicativo de que outros setores produtivos possam recompor seus preços.
Heron do Carmo disse que as medidas do governo foram "certas" dentro do "possível". À medida que não seriam possíveis cortes nas despesas, o governo aumentou sua arrecadação. "O governo não poderia permitir desajustes na condução da política econômica", disse o economista.
Simultaneamente, Heron acha que os empresários têm motivos para reclamar, já que as medidas, anunciadas ontem, somam-se a muitas outras que oneraram o setor produtivo. "O empresário está no limite", ponderou. "Não está reclamando sobre esse pacote especificamente." Ele sugeriu à sociedade civil que, em vez de ficar "chorando", deveria dar suporte político para a aprovação de mudanças na Constituição e, assim, alterar as despesas do governo.

mockup