São Paulo, 19 (AE) - A Fipe reviu mais uma vez sua projeção para o IPC de novembro, de 1,10% para 1,30%. A Fundação também mudou a estimativa para o índice do ano, de 8% para 8,2%. Para dezembro, porém, a previsão está mantida em 0,3%. Novamente
a alta de 1,21% registrada na segunda quadrissemana de novembro
foi pressionada, como vem acontecendo desde outubro, pela carne bovina (+5,5%) e álcool combustível (+26,71%). Segundo o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, a soma dos itens carne bovina, frango e combustíveis representou 0,87 ponto porcentual do resultado de 1,21% divulgado hoje, o que significa que 11% do total das despesas dos consumidores foram destinados a esses itens.
Segundo Heron, o álcool combustível já acumula alta de 25,54% desde o Plano Real até outubro, com a previsão de que o item chegue a subir 32% neste mês, o acumulado ficaria em 66%, contra uma projeção de 76 ,8% para o IPC no mesmo período. Segundo Heron, a inflação continua concentrada em alguns itens, não contaminando outros preços pesquisados. Heron lembrou ainda que as previsões da Fipe no final do primeiro semestre apontavam um IPC de 0,5% para outubro (ficou em 1,13%), 0,5% em novembro e 0,3% em dezembro. À época, a Fipe projetava que a inflação anual ficaria abaixo de 6%. Dessa diferença de dois pontos percentuais
explicou Heron do Carmo, o item álcool combustível deve responder por um ponto percentual.
O restante virá dos preços do feijão e da carne, que também tiveram altas acima das expectativas. Heron do Carmo disse que, apesar da pressão inflacionária gerada por esses itens, o fato de já ter ocorrido o realinhamento do preço do álcool agora pode ser "interessante" para o governo, porque ele começa o ano que vem menos pressionado, justamente em um ano em que a meta de inflação será mais estreita. Ele diz que há espaço, inclusive, para que o governo defina novo reajuste de gasolina se houver a percepção de que não há outros focos de aumento de preço.

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