São Paulo, 24 (AE) - Estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe-USP), para a Associação Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (NTC), revela que os custos do transporte rodoviário de cargas apresentam uma defasagem média de 44,03%, em relação aqueles praticados em 1994. A pesquisa contou com a participação de mais de 30 transportadoras e servirá de base para a elaboração de novo indicador do setor, que substituirá o Índice Nacional de Variação de Custos do Transporte Rodoviário de Cargas (INTC), apurado mensalmente pela Fipe desde junho de 1994.
O novo índice vai incorporar custos que não eram computados pelo INCT, tais como salários de pessoal envolvido com atividades ligadas a gerenciamento de risco - vigias, pessoal de segurança patrimonial, operadores de equipamentos de rastreamento por satélite -, despesas financeiras, PIS e Cofins. De acordo com o estudo da Fipe, a defasagem média de 44,03% nos custos do transporte de cargas deve-se, principalmente, à elevação de 122,44% nas despesas administrativas e de terminais para distâncias médias (800 km), aos aluguéis (184,91%), salários e encargos (78,79%) e tarifas públicas (36,40%).
Outro fator que contribuiu para o aumento dos custos foram as despesas com gerenciamento de risco (4,37%), que vêm se multiplicando nos últimos anos. Os 44,03% não incluem despesas com pedágio, tarifa que têm peso considerável de acordo com os percursos realizados, mas que é cobrada em poucos Estados brasileiros, principalmente em São Paulo. Daí, não ter sido colocada no índice que tem abrangência nacional.
Na avaliação do vice-presidente da NTC, Geraldo Vianna, entre os fatores que contribuíram para achatamento dos fretes está a queda de produtividade das transportadoras nas operações em grandes centros, devido aos congestionamentos e restrições à circulação de caminhões, por exemplo. "Não conseguimos fazer o mesmo número de entregas como era antes", comentou Vianna.
Segundo ele, na década de 70 o frete no transporte de medicamentos representava 3% do valor da mercadoria. "Hoje está por volta de 1%." Para exemplificar a dimensão das dificuldades enfrentadas pelo setor, o presidente do Sindicarga (sindicato dos transportadores rodoviários do Rio de Janeiro), Eduardo Ribuzzi, informou que o número de empresas associadas à entidade caiu de 700, em 1994, para 220 atualmente. "Muitas fecharam, outras simplesmente deixaram de pagar a mensalidade do sindicato", assinalou Ribuzzi.

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