São Paulo, 27 (AE) - A pressão dos preços dos alimentos e do vestuário fez com que o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo, revisse sua projeção para o índice do custo de vida no município de São Paulo em setembro de 0,5% para 0,7%. Na terceira quadrissemana do mês, o IPC subiu para 0,78%, contra 0 69% na prévia anterior. O aumento dos combustíveis também contribuiu para revisão do IPC em setembro de 0,5% para 0,7%. A expectativa da Fipe/USP era de que os preços dos combustíveis caíssem nesta terceira quadrissemana de setembro, mas o item transportes subiu de 1,07% para 1,13%. Havia expectativa também de que o preço da gasolina recuasse, mas subiu 2,26% e o álcool, após várias semanas de preço em queda, apresentou uma alta de 1 67%. Se o preço da gasolina recuasse nesta última quadrissemana de setembro, a alta do álcool poderia ser anulada no fechamento do índice do mês.
"A alta da inflação em setembro é um problema sazonal"
disse Heron do Carmo. Esse comportamento sazonal fica claro nos preços dos alimentos. A expectativa era de queda nesta quadrissemana, mas o índice subiu de 0,28% para 0,47%, porque houve aumentos significativos de alguns produtos. Foi o caso do feijão, que subiu 33,34%, e do açúcar, com 9,86%. Simultaneamente não houve queda de outros produtos alimentícios que compensariam essas altas. A partir de agora, Heron espera um recuo no preço do feijão, que deve terminar o mês com alta abaixo da atual. O IPC de setembro também será pressionado pelos produtos de vestuário. A expectativa inicial era de que este índice apresentasse uma queda de 0,5% no fechamento do mês, mas agora o índice deve ser positivo. Isso porque houve uma antecipação no lançamento das coleções de primavera-verão e também pela redução de produtos importados, que deu margem a algum repasse nos preços.
Segundo Heron, a carne pode ser um fator de pressão na última semana de setembro, já que há evidência no comércio atacadista de alta significativa do preço do produto. De dezembro de 1998 até agora, a carne subiu 10 ,5%, mas, nesse mês
acumula uma queda de 0,04%. Em outubro, certamente a carne deve pressionar o índice. Apesar da revisão para setembro, a Fipe mantém a previsão para outubro em 0,5%, com a possibilidade de uma leve queda. As previsões para novembro (0,5%) e dezembro (0 13%) foram mantidas, assim como a previsão para o IPC de 1999, que deve oscilar entre 6% e 6,5%.

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