Fipe já projeta inflação anual de 5%
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 18 (AE) - O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) poderá fechar o ano com inflação de 5%, mesmo com os reajustes das tarifas dos serviços públicos (energia elétrica, telefones, água e esgoto) e a volta da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) esta semana. A previsão será factível, segundo o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, caso não ocorram geadas neste inverno e a média mensal do custo de vida fique em 0,20% no terceiro trimestre.
Na segunda prévia de junho, o IPC da Fipe registrou deflação de 0,35%, surpreendendo mais uma vez o coordenador do índice. Diante desse resultado, ele reviu a projeção de que o custo de vida de junho seria de 0,20%. Agora, Heron trabalha com a expectativa de inflação próxima de zero para este mês. Em junho do ano passado, o IPC da Fipe foi de 0,19%.
"Precisaria ocorrer uma megainflação de agora em diante para fechar o ano com um IPC acumulado de 6%", afirma Heron. Ele destaca que o IPC acumulado de janeiro a junho deverá ficar em 2,6%, com a previsão de inflação zero este mês.
O especialista diz que 6% é o máximo que o índice acumulado em 12 meses poderá chegar em dezembro. "Trata-se de um a previsão conservadora", admite.
Segundo Heron, se não fosse o impacto das tarifas que começarão a afetar o IPC no segundo semestre, o IPC seria "surpreendentemente" baixo. Apesar disso, ele mantém a previsão de que a média mensal do IPC entre julho e setembro será de 0,20%, porque o efeito da subida das tarifas será mais que compensado pelo recuo de outros itens.
O reajuste em torno de 8% dos preços dos serviços telefônicos para a cidade de São Paulo, estimado por Heron, que leva em conta o aumento das assinaturas, deverá ter reflexo de 0 07 ponto porcentual no IPC da Fipe a partir da terceira quadrissemana de julho. O impacto mais efetivo, ressalta, será em agosto e setembro.
Na avaliação do economista, a volta da cobrança da CPMF não terá reflexos na inflação como um todo. "Esse filme eu já vi antes e quem aumentar preços não vai conseguir vender", diz Heron, em referência à intenção anunciada por representantes do setor supermercadista de majorar em até 1,5% os preços cobrados do consumidor por conta do repasse do imposto.
Três fatores conjugados têm contribuído para que a inflação não seja impulsionada pelas expectativas de reajustes anunciados pelo agentes econômicos, avalia o coordenador do IPC da Fipe. O primeiro deles, destaca, seria a recessão atual que atinge a economia, da qual o País só deverá sair no terceiro trimestre. Além disso, pondera, os ganhos de produtividade e abertura comercial são fundamentais para inibir eventuais repasses.


