Um possível indicador do comportamento da inflação ao consumidor seria o Índice de Preços do Atacado (IPA), medido pela Fundação Getúlio Vargas, de 6,99% em fevereiro, que também foi uma surpresa para os economistas, mas por ter registrado um índice muito alto. O que se sabe a respeito do significado do IPA vem dos tempos de indexação, quando "a inflação do atacado de hoje era a inflação ao consumidor de amanhâ". Hoje, essa regra pode não funcionar, já que há um cenário de recessão e de desindexação, pelo menos salarial. Assim, os reajustes dos preços de eletroeletrônicos verificados pelo IPA em janeiro não foram confirmados pelo IPC em fevereiro, como constata Denise Rodrigues, da Tendências. Mas ela observa que há casos, como o de alimentos, em que há redução de produção com o objetivo de forçar aumento de preços. "A proporção de repasse do IPA ao IPC ainda é um movimento imprevisível. Tudo dependerá da capacidade do varejo em repassar seus custos ao consumidor", afirma. Adauto Lima, do Lloyds, observa ainda que o IPA é medido com base nos preços de tabela das indústrias. Resta saber, portanto, qual é o preço efetivo, que será medido mais tarde pelo IPC. "O risco é que o preço de tabela se efetive", diz Lima.por Lucinda Pinto São Paulo, 11 - A inflação medida pela Fipe na primeira quadrissemana de março, de 1,24%, ficou abaixo do esperado pelos economistas. Mas isso não significa que o índice fechado do mês também deverá ser menor do que o previsto. O economista do Lloyds Bank, Adauto Lima, mantém sua projeção para o final do mês de um IPC da Fipe em 1,8% e 2%, com probabilidade a ficar "mais perto de 2%". Os técnicos da Fipe trabalham com um índice para março entre 1,5% e 2%. Segundo Lima, o resultado da primeira prévia do mês supreendeu. Ele projetava uma inflação próxima a 1,4%, que foi o índice registrado no mês de fevereiro. Entretanto, três fatores provocaram uma surpresa positiva nesse período: o recuo dos preços dos hortifrutigranjeiros e dos alimentos semi-elaborados, a prorrogação do período de liquidação de vestuário e o arrefecimento do impacto do reajuste das tarifas de transportes ocorrido no início de fevereiro. Entretanto, para as demais semanas, há fatores de pressão que podem elevar o índice geral. A economista da consultoria Tendências, Rita Rodrigues, observa que os combustíveis sofrem reajuste a partir de hoje. Isso significa um impacto sobre vários outros itens que compõem o índice, como transportes. Além disso, as liquidações de roupas devem acabar, devido à chegada da nova coleção. Também está se verificando uma pressão sobre preços de alimentos industrializados, que têm commodities (principalmente trigo) ou leite como matéria-prima e têm seus preços em alta neste momento. Embora o efeito da desvalorização cambial sobre os preços ainda seja uma variável difícil de prever, a expectativa da economista é de que o índice da Fipe continue registrando altas sucessivas até o mês de maio. "A partir daí, pode haver uma queda gradual", diz.

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