Fipe fecha 2ª prévia em 0,40%; inflação do mês pode ser de 0,70%
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 20 (AE) - A inflação deste mês deverá ficar em torno 0,70%, podendo chegar a 0,50%, dependendo do comportamento dos preços dos artigos de vestuário. As novas estimativas são do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo, depois de constatar que na segunda quadrissemana de abril o custo de vida do paulistano ficou em 0,40%. O resultado é praticamente igual ao da primeira prévia do mês (0 38%).
"Esse número (0,70%) para o mês é maravilhoso", diz Heron. Após a desvalorização cambial, ele previu que abril seria o pior mês para o IPC, que poderia atingir 2%. Com o recuo do dólar, ele tinha revisto as projeções do mês para 1%. Para o ano
a inflação acumulada deverá ficar em torno de 9%, ante os 10% antes previstos.
De acordo com o cordenador do IPC, os resultados mais favoráveis do índice a cada quadrissemana acabam refletindo nas expectativas otimistas, de forma que, no fim do processo, o número real fique abaixo do esperado.
Depois do resultado da segunda quadrissemana, Heron diz que os 9% projetados para o ano estão mais para o teto que para a média do IPC. Ele também não descarta a possibilidade de registrar deflação entre julho e setembro, se não ocorrerem geadas. O economista fundamenta essa previsão nas liquidações dos artigos de vestuário de inverno.
O vestuário foi o grupo cujos preços mais aumentaram na segunda quadrissemana de abril (2,71%). A perspectiva é que esse grupo feche o mês com alta de 7%, ante os 5% em abril de 1998. Apesar da alta acentuada no vestuário, o IPC da segunda quadrissemana de abril foi em 0,40%, por causa dos alimentos, que ficaram 0,26% mais baratos.
Os semi-elaborados registraram queda de 1,45% e os in natura -0,94%. Dentre esses subgrupos, Heron destaca a carne bovina (-0,68%), o frango (-3,45%), o arroz (-2,91%) e o feijão (-6%). Segundo Heron, o recuo nos dos alimentos semi-elaborados decorreu basicamente da queda do dólar, além da safra.
Já os alimentos industrializados continuaram subindo - 1 39% na segunda prévia do mês, bem acima da inflação. Na análise do economista, a alta dos alimentos industrializados reflete ainda a desvalorização do real. A perspectiva é que eles recuem ainda mais na terceira quadrissemana e fechem o mês com um resultado semelhante ao da segunda prévia de abril (-0,26%).
O grupo habitação fechou a segunda prévia de abril com alta de 0,46%, estabilizado desde a terceira quadrissemana de março. Apesar disso, pressões por aumentos continuaram ocorrendo nos artigos de limpeza (4,27%) e nos aparelhos de imagem e som (1,92%). No aluguel, houve um recuo de 0,10% e a tendência é de estabilidade, diante da oferta abundante de imóveis vagos e a expectativa de inflação menor.
O último aumento da gasolina ainda não teve impacto nos preços dos transportes, que subiram 0,47% na segunda quadrissemana. A gasolina foi o item que mais subiu (4,52%); o IPC teria sido 0,26% sem considerar o aumento do combustível. A nova alta terá impacto 0,16%, mas vai depender de como os postos vão repassá-la.


