São Paulo, 26 (AE)- O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fipe, Heron do Carmo, disse hoje que o IPC deve fechar o mês de maio com deflação de 0,30%. Segundo ele, o resultado anunciado hoje, de deflação de 0,19% para a terceira quadrissemana de maio, fez a Fipe recalcular sua projeção para o mês. No ínicio de maio, a Fipe previa 0,60% positivo neste mês. De acordo com Heron, o recuo da inflação não se deve nem à política monetária nem ao quadro recessivo da economia, mas à queda do item alimentação, que está descontando os aumentos após a desvalorização do real.
O coordenador da Fipe disse ainda que mantém a sua previsão de inflação anual de cerca de 6%. Segundo ele, a sua estimativa não é mais positiva devido a itens como energia, que deve ter aumento significativo em junho, de cerca de 16%. Com isso, o índice terá impacto de 0,57 ponto percentual, diluído nos índices de julho, agosto e setembro. Além da energia, o item transporte é uma tendência de folga da demanda para os próximos meses também devem pressionar um pouco o índice a partir de julho. Ele disse que a crise da Argentina só afetará o Brasil se houver questionamento das atuais regras da política monetária naquele país.
Se isso não ocorrer durante a campanha eleitoral, essa crise deve acabar, segundo Heron. Com relação aos EUA, "não há muito o que fazer" sobre a ameaça inflacionária, afirmou o coordenador. Apesar disso, a eventual perda de dinamismo dos EUA já é esperada e se ocorrer, os movimentos não serão tão intensos. "O fato de o FED ter sinalizado viés de alta, o mercado já coloca essa indicação na conta", afirmou.

mockup