Fipe aponta novo repique da inflação
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 23 (AE) - O custo de vida do paulistano deu um novo salto na segunda quadrissemana de fevereiro por causa do impacto da desvalorização cambial nos preços dos alimentos e da alta na tarifa de ônibus. O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) fechou a segunda prévia de fevereiro em 1,03%, ante uma variação de 0,75% registrada na primeira quadrissemana do mês.
Para fevereiro fechado, a previsão da instituição é que a inflação atinja até 1,5% e chegue ao pico de 2% em abril. O IPC de janeiro a dezembro deste ano deverá oscilar entre 10% e 12%, com um índice acumulado no primeiro semestre de 8%. "Na segunda quadrissemana de fevereiro a pressão foi muito maior dos setores afetados pelo câmbio", diz um dos coordenadores do IPC da Fipe, Heron do Carmo. O grupo alimentação subiu 1,68% e respondeu por metade da variação do índice (0,51%). Os alimentos semi-elaborados ficaram 2,05% mais caros, seguidos pelos industrializados, com 1,87%.
Para dar uma idéia da aceleração no ritmo de reajustes dos produtos afetados pela desvalorização cambial na segunda prévia do mês, Heron cita alguns exemplos. A carne bovina subiu 5,2% na segunda quadrissemana, ante 3,76% na primeira quadrissemana deste mês. Os produtos panificados ficaram, em média, 5,31% mais caros na última quadrissemana e o pãozinho francês teve alta de 5,74%, depois desse grupo ter subido 2,31% no período anterior. O óleo de cozinha, que tinha subido 2,36% na primeira prévia do mês, registrou alta de 5,83% na última qadrissemana. Os preços médios do chá, das bebidas achocolatadas e do café saltaram de 5,35% para 8,13% da primeira para a segunda quadrissemana do mês. O pó de café sozinho encareu 10 05% no período, podendo acumular alta de 15% a até o fim de fevereiro nas contas de Heron.
O economista explica que o efeito dos reajustes por conta da desvalorização cambial afeta em várias etapas e com diferentes intensidades os vários grupos de preços. Num primeiro momento, diz, os preços mais afetados são dos produtos menos elaborados. Já o reflexo sobre as cotações dos produtos mais processados tende a ser menor. Só a partir do fim de maio, diz o econmista, a nova estrutura de preços relativos estará ajustada e o IPC caminhará para um condição mais estável.
No caso dos alimentos e dos produtos de higiene e limpeza, a tendência é de a variação de preços ficar mais intensa nas próximas semanas. Esses aumentos já foram captados na ponta pelas cotações diárias da cesta básica e pelos índices de preços do atacado. O frango por, exemplo, que na segunda quadrissemana registrou queda 1,64% nos preços e vinha contribuindo para segurar a inflação do IPC da Fipe, deve subir até o fim de abril. O preço do leite, que aumentou 0,06%, deve também acelerar-se, prevê Heron.
A variação dos preços do grupo habitação, com alta de 0 45% na segunda prévia do mês ante 0,39% registrados na quadrissemana anterior, também reflete o impacto da desvalorização cambial. Na segunda prévia de fevereiro, os aparelhos de imagem e som, que levam componentes importados, ficaram 4,02% mais caros, os eletrodomésticos subiram 1,5% e os móveis 3,82%, apesar do recuo de 0,30% nos aluguéis. Na avaliação de Heron, a tendência é de as cotações dos eletrônicos continuarem subindo, apesar a retração nas vendas.
Ínibus - O ônibus foi o item que, isoladamente, mais subiu na segunda prévia do mês, com alta de 13,33%. Os transportes aumentaram 3,82% no período e responderam por 0,48% da inflação da segunda quadrissemana. "Sem levar em conta o ônibus, a inflação teria sido de 0,58%", ressalta Heron. Ele diz que o impacto do aumento de 15% nas tarifas de ônibus deve se esgotar nas próximas semanas porque atingiu o pico na segunda prévia de fevereiro.
Já os gastos com saúde não deverão seguir a mesma trajetória em março. Na segunda quadrissemana, os preços desse grupo, que inclui os serviços médicos e os remédios, recuaram 0 06%. Como o acordo entre a indústria farmacêutica e o governo para segurar preços acaba no fim do mês, a tendência é de alta.
No caso dos gastos com educação, a perspectiva é de estabilidade nas próximas semanas. Na segunda prévia de fevereiro, esse grupo subiu 0,72%, puxado especialmente pelos livros didáticos (1,66%) e pelas mensalidades escolares (0,77%), por causa do início do ano escolar. Os artigos de vestuário, que recuaram 1,79% na última quadrissemana, deverão continuar em queda até março por causa das liquidações de verão.


