São Paulo, 11 (AE) - Depois de registrar taxas crescentes por oito semanas consecutivas, a inflação está perdendo o fôlego neste mês na cidade de São Paulo. Na primeira quadrissemana de março, o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação do Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) fechou com alta de 1,24%, após ter subido 1,41% em fevereiro.
Por causa dessa desaceleração, o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, reviu a previsão da inflação de março, estimada inicialmente em 1,5%, para 1,2%, apesar da alta do combustível. Ele não descarta também a possibilidade de registrar neste mês uma variação até menor do que 1,2%, dependendo do efeito das liquidações de verão. Mas o economista mantém a estimativa de que o IPC chegará a 2% em abril, influenciado pelo preço mais alto da coleção de roupas de inverno. No ano, o IPC deverá acumular alta de 10% a 12%.
Se o câmbio continuar na trajetória atual e a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) for aprovada em segundo turno, Heron diz que o IPC da Fipe poderá ficar muito próximo de zero no período de junho a setembro. "O cenário ficou mais confortável do ponto de vista das expectativas, com o fechamento do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e o recuo do dólar colaborou muito para isso." Ele argumenta também que, passado o impacto inicial do câmbio nos preços relativos, não há motivos para que o índice suba daqui para frente porque falta renda.
"Nós estamos numa recessão que não tem tamanho", afirma o economista, lembrando que as projeções indicam queda de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) neste semestre. Além disso, sazonalmente o IPC da Fipe tem registrado variações muito pequenas nos dois últimos anos entre junho e setembro, até com deflação. Nem mesmo a perspectiva de que o salário mínimo seja reajustado em 6% e beire os R$ 140 a partir de maio faz o economista rever as projeções para o IPC. "O reajuste do salário mínimo não terá impacto inflacionário", ponderando que setorialmente (Previdência e prefeituras do Nordeste) pode haver alguma pressão.
Março - Na primeira quadrissemana de março, os preços dos alimentos, dos artigos de vestuário e dos transportes contribuíram para a desaceleração do índice. Os preços dos alimentos, que tinham subido 3,07% em fevereiro, registraram alta de 2,70% na primeira prévia deste mês, influenciados especialmente pelos semi-elaborados (3,45%), pelos produtos in natura (-1,01%) e pela alimentação fora do domicílio (-0,15%).
Para exemplificar que o impacto inicial do câmbio nas commodities já está sendo amortecido, Heron cita a carne bovina. O produto, que tinha aumentado 8,83% em fevereiro, teve reajuste de 6,50% na primeira prévia de março. Os panificados também subiram menos neste mês, 7,45%, depois de registrar alta de 8 93% em fevereiro. Na análise do economista, essa tendência deverá continuar nas próximas semanas, quando terá sido superada a fase de alta mais expressiva dos alimentos in natura.
No caso dos transportes, a variação de preços na primeira prévia de março foi de 1,99%, menor do que a de fevereiro (2,69%), porque o impacto da alta da tarifa de ônibus já foi totalmente absorvido.
Segundo Heron, o reajuste do combustível deverá influenciar o IPC só a partir da terceira quadrissemana deste mês. Se, de fato, os postos reajustarem em 6,5% o preço ao consumidor, a alta do combustível terá impacto de 0,20 ponto percentual no índice e metade disso influenciará o IPC deste mês.
No caso dos artigos de vestuário, a queda de 1,94% em fevereiro ampliou-se em março, com um recuo de 2,27%. E a perspectiva é que as liquidações continuem mais fortes neste mês
compensando o efeito do reajuste dos preços de outros grupos de produtos.
Na primeira prévia de março, a variação dos preços da habitação ficou praticamente estável e, na opinão de Heron, a possibilidade de alta dos eletroeletrônicos e dos móveis esgotou-se. A tendência dos preços da educação é de estabilidade
apesar de ter subido 0,24% na primeira prévia de março. Para os grupos que reúnem os gastos com despesas pessoais (fumo, bebidas
artigos de higiene e limpeza) e saúde a perspectiva é que preços subam lentamente, sobretudo porque, neste último caso, terminou o acordo entre o setor farmacêutico e o governo para segurar os aumentos.

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