São Paulo, 05 (AE) - O custo de vida do paulistano aumentou novamente em setembro, impulsionado pela alta dos preços da carne, do feijão, do álcool combustível e dos artigos de vestuário. No mês passado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) fechou em 0,91%, com alta de 0,17 ponto percentual em relação à inflação de agosto.
O IPC da Fipe superou todos os prognósticos que indicavam uma variação bem menor para setembro - no início, de 0 30%, e posteriormente corrigida para 0,50% e 0,70%. Por conta desse resultado inesperado, a Fipe reviu a estimativa do IPC deste ano, que oscilava entre 6% e 6,5%, e agora poderá atingir 7%.
De janeiro a setembro, a inflação acumulada pelo IPC é de 5,34%. Para outubro e novembro, o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, calcula que o índice mensal fique em 0,5%, fechando dezembro em 0,30%. Se essas projeções forem confirmadas
a inflação no ano será de 6,7%. "Mas não estou contando nessa estimativa com aumento nos preços dos combustíveis", ressalta o economista. Se o litro de álcool chegar a R$ 0,80, como se cogita, o impacto poderá ser de um ponto percentual a mais na inflação, calcula.
Dos 340 produtos e serviços pesquisados pela Fipe, seis (feijão, água/esgoto, passagem intermunicipal, álcool combustível, açúcar e luz) foram responsáveis por 0,83 ponto percentual do índice de setembro. A concentração da alta do IPC em alguns poucos produtos sujeitos a variações sazonais e serviços tarifados mostra, segundo Heron, que não há descontrole da inflação. Isso significa que o núcleo da inflação - formado pelos produtos comercializáveis e os serviços privados -, que dá a tendência do custo de vida, está sob controle e corre na casa de 0,20%, enquanto o IPC está em 0,91%.
Alimentos - O feijão foi o item que mais subiu no mês passado, 31,95%. O preço da carne, outro produto que está na entressafra, aumentou 6% na última semana de setembro, em relação à última de agosto. "Isso indica que a carne poderá ser um fator de pressão em outubro e novembro, com o preço da arroba já tendo atingido R$ 40 no campo." A carne pesa 4,5% no IPC da Fipe e subiu 11,6% neste ano.
O açúcar encareceu 11,29% no mês. Com isso, o grupo alimentação saltou de 0,28% na terceira prévia do mês para fechar setembro em 0,88%, puxado pelos produtos industrializados
que, da estabilidade da primeira quadrissemana de setembro, fecharam o mês com alta de 0,57%.
O álcool combustível, o quarto item que mais aumentou no período - em média 8,25% na última quadrissemana do mês e 20% na última semana de setembro, em relação aos mesmos dias de agosto -, fez com que o grupo transporte voltasse a subir, passando de 0,98 para 1,38% de agosto para setembro.
As passagens intermunicipais, com alta de 14,24% em setembro, também puxaram as despesas pessoais, que aumentaram 1 66%. Esse foi o grupo que mais subiu no mês passado.

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