São Paulo, 07 (AE) - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP) fechou o ano passado com variação de 8,64% - a previsão era de 8,7%. O último mês do ano teve inflação de 0,49%, o menor índice do segundo semestre. Em novembro, o IPC foi de 1,48%.
Seguindo a tendência de outubro e novembro, as maiores variações ocorreram nos preços da carne e dos combustíveis, mas desta vez em índices bem menores. O gastos com alimentos subiram 1,17% e as despesas com transporte aumentaram 0,71%, com alta de 4,03% no álcool e de 0,76% na gasolina. Entre os alimentos, os que mais subiram foram o frango (7,38%), café em pó (11,2%), pernil com osso (10,9%), frango assado (7,36%). "Não houve inflação de demanda, como se temia, e só subiram os preços que já eram esperados", diz o coordenador do índice, Heron do Carmo.
Em outubro, o álcool subiu 17% e mais de 30% em novembro. Em três meses, a alta foi de quase 60%. No acumulado do ano, porém, a alta foi de 55,28%, enquanto a gasolina subiu 53,69%. "O problema é que o álcool baixou muito no início do ano e depois subiu tudo de uma vez", diz Heron. álcool e gasolina têm, juntos, um peso de 5% na composição do índice. Com a alta em torno de 50% no ano passado, esses dois itens tiveram uma contribuição de 2,5 ponto porcentual na inflação de 8,64%. A inflação do ano passado ficou concentrada nos itens influenciados pela alta do dólar, segundo Heron. "Não houve propagação para outros itens", diz o economista. "O impacto principal já foi, agora só resta um efeito residual."
O índice de 8,64% em 99 é o maior desde 95 mas traz um alívio grande em relação às previsões do início de 99, logo após a desvalorização. "O ano foi bem menos ruim do que se imaginava", diz Heron. No fim de janeiro, a previsão da Fipe era de uma inflação de 8%, mas esse número logo foi revisto para 12%, numa época em que várias consultorias chegaram a falar em mais de 30%. No início de abril a Fipe recuou para um índice em torno de 8%, que foi caindo até virar 6%. Mas com os aumentos das tarifas públicas e da gasolina em junho e julho as previsões começaram a ser revistas para cima novamente.
Entre os itens que compõem o índice, o único que subiu acima da média foi o de transportes. A alta de 25,25% foi causada pelo aumento de 31,64% nos preços de veículo próprio e de 35,7% na manutenção, o que inclui os gastos com combustíveis.
As despesas com alimentação subiram 7,2% e os gastos com habitação tiveram alta de 7,22%. A queda de 3,11% no aluguel compensou parte do aumento nos gastos com manutenção do domicílio (alta de 13,5%) e dos serviços públicos residenciais (15,98%), por causa do aumento das tarifas públicas. As despesas pessoais subiram 5,51%, os artigos de vestuário tiveram alta de 4,53%, os gastos com saúde aumentaram 5,19% e com educação subiram 2,30%.