São Paulo, 19 (AE) - A inflação da segunda quadrissemana de janeiro ficou em 0,47%, praticamente igual ao índice de 0,46% da primeira prévia. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (Usp) mede o custo de vida de famílias com renda entre um e 20 salários mínimos. O resultado da segunda prévia confirmou a previsão de inflação de 0,5% para janeiro. "Pode ser até menor", diz o coordenador do índice, Heron do Carmo.
Os itens que estão puxando a inflação de janeiro são os alimentos in natura e as matrículas e mensalidades escolares. Os gastos com alimentação subiram em média 1,10%, com alta de 1,42% nos alimentos in natura. As despesas com educação tiveram alta de 2,85%, puxadas pelo aumento de 3,59% nos preços das matrículas e mensalidades. Esses dois itens devem subir ainda mais até o fim de janeiro.
Em compensação, deve diminuir a variação de outros itens
como carnes e frango, que já estão mais baratos na ponta, embora com índice ainda positivo. Os gastos com habitação, que subiram 0,13% na segunda prévia de janeiro, ainda não tiveram o impacto do aumento dos preços do telefone. O impacto da alta do telefone, de 0,25 ponto percentual, será distribuído entre fevereiro e março.
Os gastos com transportes subiram 0,34%, mas o índice pode diminuir nas próximas semanas, já que caminham para a estabilidade a variação dos preços do álcool e da gasolina. Os gastos com saúde aumentaram 0,45%, com alta de 1,03% nos preços dos remédios e de 0,12% nos serviços médicos. Outros dois grupos tiveram queda. As despesas pessoais baixaram 0,28% e os gastos com vestuário diminuíram 0,47%, por conta das liquidações de janeiro.
"A inflação deste ano vai depender do governo", diz Heron. Ele calcula em 4% a variação dos preços controlados pelo governo. O restante - entre 2 e 2,5 pontos percentuais - vai depender dos índices autorizados pelo governo na correção dos serviços públicos e aumento no preço dos combustíveis.
Se ficar em 0,5%, a inflação será semelhante à de janeiro do ano passado. Mas a partir de fevereiro e março, a previsão é de um índice em torno de 0,20% para cada mês. Se esse número se confirmar, a inflação acumulada em 12 meses cairá para 7,34% em fevereiro e para 6,95% em março. No ano passado, o IPC foi de 8,64%.

mockup