São Paulo, 19 (AE) - A inflação atingiu 1,13% na cidade de São Paulo na segunda prévia de agosto, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A alta de 0,05 ponto percentual em relação à quadrissemana anterior foi puxada pelas tarifas e pelos combustíveis, que juntos responderam por 0,83 ponto percentual do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e atingiram o pico na segunda quadrissemana deste mês.
"Sem as tarifas, o índice teria ficado abaixo de 0,5%"
diz o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo. Ele não acredita que o novo repique na cotação do dólar vá pressionar os preços daqui para frente. Na segunda quadrissemana, os maiores aumentos ocorreram nos grupos habitação (2,23%) e transportes (1 51%).
Apesar da alta do IPC na segunda quadrissemana de agosto
o economista mantém a estimativa de 0,9% para o mês e acrescenta que não há nada que aponte para "um descolamento da inflação". Ele calcula que o índice mensal deverá girar em torno de 0,5% de setembro a dezembro, fechando o ano em 6,5%.
O economista aponta alguns motivos para que este mês feche com um índice menor que o atual. Ele argumenta que, a partir da próxima semana, as tarifas e os combustíveis devem começar a aliviar o IPC da Fipe.
Na segunda prévia de agosto, a energia elétrica liderou o ranking de alta e subiu 12,88%, seguida pela gasolina (5,21%) e as tarifas de água e esgoto (4,26%). "Os postos tenderão a acertar os preços do combustível para baixo, com promoções", diz Heron, argumentando que a variação nas cotações da gasolina não deverá exceder 5,21% registrados na última semana.
Alimentos - Além das tarifas, os alimentos vão continuar subindo, porém num ritmo menos intenso. Essa desaceleração já foi detectada na segunda prévia de agosto, com os alimentos subindo 0,93%, com alta de 0,50% ponto percentual em relação à semana anterior. Na primeira prévia deste mês, o ritmo de reajuste dos preços da comida tinha sido 0,70 ponto percentual. Heron explica que, depois das primeiras altas de preço, o consumidor se retrai e não sanciona novos aumentos.
Na segunda quadrissemana de agosto, a alta dos alimentos foi puxada pelos semi-elaborados (0,93%) e produtos in natura (3 85%) por causa da entressafra. O limão, por exemplo, ficou 40 67% mais caro; o tomate, 18,29%; a carne bovina (4,66%) e o frango (2,11%). Até o fim do mês, a perspectiva é que a alimentação tenha um reajuste de, no máximo, 1,5%.
Heron conta também com um recuo dos preços do vestuário, que já subiram menos (0,52%) na segunda prévia do mês, e devem encerrar agosto com queda de 2% por causa das liquidações de verão. "O vestuário compensará a alta da alimentação." Já em outubro e novembro, o vestuário voltará a pressionar IPC da Fipe
bem como os alimentos. Heron não acredita que os alimentos comprometam a trajetória da inflação neste ano. Para dezembro, o coordenador do IPC prevê que o índice poderá ficar abaixo de 0 5%, a menos que ocorra um novo reajuste do combustível. Nem a entrada do 13º salário poderá aquecer a demanda e sancionar reajustes de preços, diz o economista.

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