Fipe aponta alta de preços de 0,37% na primeira prévia do mês
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 10 (AE) - O custo de vida do paulistano subiu menos que o esperado por causa dos alimentos, cujos preços recuaram com a entrada da nova safra de produtos agropecuários. Na primeira prévia de fevereiro, o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) fechou com alta de 0,37%, ante o resultado de 0,57% apurado em janeiro. O grupo alimentação, que tinha subido 0,60% em janeiro, caiu 0,01% na primeirra quadrissemana deste mês.
"A queda no índice geral foi mais acentuada que o esperado", diz o coordenador o IPC da Fipe, Heron do Carmo, destacando que o recuo de 0,20 ponto percentual na comparação com o mês passado "foi bastante significativo". A sua expectativa era que o índice geral caísse 0,10 ponto percentual em relação a janeiro.
Com esse resultado e contando que o impacto de alta das despesas com educação se esgote até o fim do mês, o economista já admite a possibilidade de que o IPC de fevereiro e de março fique abaixo de 0,2%. "Fevereiro e março terão as menores taxas de inflação do ano", diz o coordenador do IPC, acrescentando que, a partir de fevereiro, o IPC acumulado em 12 meses estará dentro das metas de inflação.
Na avaliação de Heron, o IPC da Fipe já estaria em 0,2% na primeira prévia deste mês, se fosse descontada a contribuição 0,20 ponto percentual do grupo educação. Os preços das mensalidades e do material escolar subiram 5,59% na primeira prévia do mês e a educação foi o grupo que registrou a maior alta dentre os demais que compõem o IPC. A estimativa é que a educação feche o mês subindo 0,15%, praticamente sem impacto no custo de vida.
Alimentos - O efeito da nova safra já está sendo sentido nos preços dos alimentos semi-elaborados, cujas cotações médias recuaram 2,85% na primeira prévia de fevereiro, depois de terem caído 1,49% em janeiro. Os alimentos industrializados também contribuíram para que a inflação fosse menor e subiram 0,47% na segunda prévia de fevereiro, num ritmo mais lento que em janeiro (0,90%).
O preço do frango, por exemplo, recuou 7,15% na primeira prévia deste mês e foi o produto que teve maior impacto negativo no índice, seguido pelo feijão (-12,78%) e pelo arroz (-1,91%). As carnes bovinas ficaram, em média 0,89% mais baratas no período e o café subiu menos, 3,02%.
Heron atribui a queda nos alimentos não apenas à maior oferta de cereais e carnes por causa da safra, mas também ao recuo da cotação do dólar em relação a outubro, quando a moeda norte-americana chegou a R$ 2,00. É que as commodities agropecuárias seguem os parâmetros de preços do mercado internacional, cotados em dólar.
Na avaliação de Heron, apesar de esta safra ser menor que a do ano passado, o efeito da maior oferta de produtos no IPC da Fipe deverá se estender até março e abril. O índice será mais influenciado pelo reajuste das tarifas a partir de maio.
A habitação subiu de 0,40% em janeiro para 0,41% na primeira prévia deste mês, puxada pela alta de 2,71% nos serviços de comunicações. A conta de telefone fixo aumentou 4 46% na primeira quadrissemana e foi o vice-líder no ranking das maiores altas, perdendo apenas para o ensino superior (8,47%).
O grupo transportes, com alta de 0,18% neste mês, está sendo puxado pelos gastos com veículo próprio que incluem despesas com IPVA, seguro obrigatório e combustível.
Os preços dos artigos de vestuário continuaram em queda neste mês, com recuo de 0,49% na primeira quadrissemana, influenciados pelas liquidações de verão. Segundo o coordenador do IPC da Fipe, as liquidações são menos expressivas neste ano, na comparação com os anteriores, porque o setor já passou por ajuste de estoques e adequação aos preços internacionais.


