Fipe aponta alta de preços de 0,37%; inflação deve ser de 0,5% em abril
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 27 (AE) - O custo de vida do paulistano este mês deverá ficar em torno de 0,5%, uma taxa 0,12 ponto percentual menor em relação a igual período de 1998. Abril deste ano está tendo um comportamento atípico na comparação com anos anteriores por conta da valorização do real ante os meses de fevereiro e março.
Para maio, a perspectiva é que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) atinja 0,6%, segundo as últimas estimativas da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No mês que vem, o índice poderá ser pressionado pela alimentação, vestuário e combustíveis.
A instituição, que apura o IPC na cidade de São Paulo, reviu novamente as projeções para este mês. Logo após a desvalorização cambial, os cálculos apontavam para um IPC de 2% em abril. Na semana passada, as estimativas já tinham sido revistas para 0,7%. Para o ano, a expectativa é que o índice acumulado fique abaixo de 9%, ante os cálculos iniciais que apontavam inflação entre 10% e 12%.
"A probabilidade que isso não ocorra é muito pequena", diz o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, destacando que o resultado obtido na terceira prévia do índice deste mês torna mais factível as suas projeções mensais e anuais.
O IPC da Fipe encerrou a terceira quadrissemana de abril com alta 0,37%. O recuo foi de 0,03 ponto percentual na comparação com a segunda prévia do mês (0,40%). O índice subiu, porém num ritmo menos acelerado que na quadrissemana anterior por causa da queda de 0,82% registrada nos preços médios do alimentos, que respondem por 31% do índice. Se os alimentos não tivessem recuado, o IPC da terceira quadrissemana teria ficado em 0,62%.
"Os alimentos surpreenderam", diz Heron. Os semi-elaborados, por exemplo, caíram 2,21% no período e os industrializados ficaram praticamente estáveis, com variação de 0,12%. O economista atribui essa queda dos preços dos alimentos à retração do câmbio e à safra agrícola, que ampliou a oferta de produtos.
Na segunda prévia de abril, o preço do frango caiu 4 58%; do arroz, 4,38%; do feijão, 7,78%; da carne de segunda, 1 91% e até o pãozinho francês ficou 1,05% mais barato. A tendência, diz Heron, é que os preços da alimentação continuem negativos nas próximas semanas, com variação semelhante à registrada na terceira prévia do mês.
Vestuário - O vestuário foi grupo que mais pressionou o IPC da Fipe na terceira quadrissemana de abril, com alta de 4 95%, por causa da entrada da moda outono/inverno. Nos cálculos de Heron, se fosse descontada variação do vestuário, o IPC da terceira quadrissema registraria deflação de 0,05%.
O vestuário deverá continuar subindo nas próximas semanas e poderá fechar o mês com alta de 7% a 7,5%. O pico de aumento de preços para esse grupo de produtos é esperado para a segunda quadrissemana de maio, quando a alta poderá alcançar 10%.
"As variações do vestuário estão dentro da sazonalidade", afirma Heron. Ele diz que, apesar dos aumentos, esse grupo acumulou no primeiro trimestre deflação de 5,12% e que a variação anual dos preços dos artigos de vestuário deverá ser menor que o IPC em 1999.
Dentre os grupos que tiveram pouca influência na terceira prévia do IPC de abril, está a habitação, com variação de 0,48%, praticamente estável na comparação com a quadrissemana anterior e com perspectaivas de continuar nesse ritmo. Os gastos com as despesas pessoais aumentaram 0,17% e esse grupo não deverá puxar para cima o IPC, a menos que ocorram aumentos nos preços do fumo e das bebidas, ressalta Heron.
Já a velocidade de reajustes dos preços dos transportes diminuiu na terceira quadrissemana para 0,10%, ante variação de 0,47% na segunda prévia de abril. Apesar de a gasolina isoladamente ter sido o produto que registrou a maior alta (3 76%), o ritmo de aumentos diminuiu. Heron argumenta que o reajuste de preços dado em março para o combustível está influenciando mais o índice do que o novo aumento concedido neste mês. Este último reajuste deverá pesar mais no IPC de maio. Para a próxima semana, a perspectiva é que a velocidade dos aumentos deixe de cair e a taxa estabilize-se.


