Fipe admite rever projeção de inflação para o ano
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domingo, 19 de março de 2000
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 20 (AE) - A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) já admite a possibilidade de reduzir de 6,5% para 6% a estimativa de inflação para este ano, se o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) deste mês apurado pela instituição fechar em 0,10%. A revisão poderá ocorrer por causa da trajetória da inflação, abaixo da prevista no primeiro trimestre.
O índice acumulado de janeiro a março deverá ficar em torno de 0,5%, a metade da projeção feita no começo do ano e dois pontos porcentuais abaixo do índice registrado em igual período de 99, diz o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo. Ele mantém a projeção de 0,10% para este mês.
Na segunda prévia de março, o custo de vida do paulistano registrou deflação de 0,04% e houve uma desaceleração no ritmo de queda. Na primeira quadrissemana do mês, o IPC havia fechado com deflação de 0,15%. "Houve uma pequena mudança na trajetória, o que poderia fazer supor que o IPC ficaria entre 0 15% e 0,20% este mês." Mas Heron avalia que a alteração é muito pequena para provocar mudanças na previsão de 0,10%, acreditando que devem ocorrer compensações nas próximas semanas para que a estimativa se concretize.
A desacelaração no IPC da Fipe da segunda quadrissemana de março foi provocada pela alta já esperada no preço da gasolina e pelos alimentos. O grupo alimentação caiu 0,95% na segunda prévia de março. Apesar de negativo o resultado foi bem menor que o registrado na prévia anterior, quando os preços do grupo haviam recuado 1,21%.
"A variação nos preços dos alimentos está tendendo para zero mais rapidamente", diz Heron. A perspectiva é que os alimentos fechem o mês com queda de 0,5% e o efeito da safra termine até a segunda prévia de abril. Alta mais expressiva deve ocorrer a partir de setembro, com a entressafra.
A gasolina continuou subindo menos que o previsto - 3 04% na segunda prévia - e, mesmo assim, liderou o ranking dos produtos que ficaram mais caros. A alta da gasolina impulsionou o item transporte, que fechou a segunda quadrissemana com aumento médio de 1,06%. Esse foi o grupo que mais subiu no período. A expectativa é que o transporte feche o mês 1,5% mais caro.
Despesas pessoais e com saúde tiveram ritmo mais lento na última semana e os gastos com educação voltaram a ter ligeira alta, porque algumas escolas reduziram descontos. Os preços da habitação subiram menos (0,35%), puxados pelas tarifas de telefonia fixa, e devem fechar o mês com alta de 0,30%.
Metas - Heron diz que a meta de inflação de 7,5% acumulada em 12 meses até março será cumprida. Nas suas contas, o IPC em 12 meses até março fechará em 6,5%. O problema, para ele, será o segundo trimestre. Para abril a perspectiva é que o IPC oscile entre 0,30% e 0,40%.
Heron diz que o cumprimento da meta de 6,5% da inflação em 12 meses até junho será mais apertado por causa dos reajustes das tarifas públicas. Além disso, neste ano não deve ocorrer deflação em maio e junho, como em 1999.


