Fiocruz pede mais rigor para manipulados
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sexta-feira, 09 de setembro de 2005
Antônio Gois<br>Folhapress 
Rio
Rio- A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, divulgou ontem manifesto pedindo mais rigor na resolução, ainda em fase de consulta pública, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda aplicar no setor de farmácias de manipulação. A proposta de regulamentação está sendo vista pelas associações que representam essas farmácias como arbitrárias e coercitivas.
O manifesto é assinado por três diretores e pesquisadores de duas unidades da Fiocruz: André Gemal (diretor do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde), Antônio Ivo de Carvalho e Francisco Paumgartten (respectivamente, diretor e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca).
''Apesar de ter recebido fortes críticas do setor regulado, a resolução é insuficiente em várias aspectos, principalmente por continuar permitindo a produção de virtualmente qualquer tipo de medicamento em farmácias de manipulação. Se a produção de medicamentos de baixo índice terapêutico em farmácias magistrais (de manipulação) não for proibida, falhas terapêuticas e mortes continuarão a ocorrer com frequência'', diz o manifesto.
Medicamentos de baixo índice terapêutico são aqueles cujas doses eficazes são muito próximas das fatais e, por isso, exigem ainda mais rigor na manipulação. André Gemal afirma que análises laboratoriais feitas pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde já registraram casos em que os valores das substâncias do medicamento eram de 1.000% a 32.000% superiores aos declarados no rótulo, causando, em alguns casos, até óbitos. ''Tomar um remédio com teor 1.000% maior do que o declarado é o mesmo que tomar 100 vezes o mesmo comprimido de uma só vez'', explicou.
Segundo Gemal, o objetivo do manifesto não é pedir o fechamento das farmácias de manipulação, mas sim maior controle e restrição na quantidade de substâncias que podem ser manipuladas por esses estabelecimentos.
Erros na manipulação de remédios podem ter causado a morte, no mês passado, de três pessoas na Bahia, que teriam consumido o anestésico lidocaína -usado em exames de endoscopia. Outra substância que pode ter causado a morte de oitos pessoas desde o ano passado é a colchicina, agente inflamatório usado no tratamento de gota.


